MUSEU DE ARTE SACRA DE UBERABA
Publicado em 20/07/2006
Igreja de Santa Rita
Os
historiadores são unânimes em dizer que o período
de maior prosperidade de Uberaba no século XIX, se deu de 1820
a 1859. Foi nessa época que a localidade, vencendo as etapas de
dificuldades de sua fundação, alcançou as prerrogativas
de vila e cidade.
Neste ambiente de comércio intenso e desenvolvimento
constante, sob a proteção de seus padroeiros São
Sebastião e Santo Antônio, a fé do povo se expandiu
e mais uma capela foi herigida, esta dedicada a Santa Rita das Causas
Impossíveis.
Cândido Justiniano da Lira Gama, devoto que era de Santa Rita, e
em cumprimento de uma promessa para se livrar do vício da bebida,
mandou construir em 1854 a pequena capelinha em louvor a Santa.
Em 1877, o tempo implacável com essa construção
singela, solicita reparos urgentes que são providenciados pelo
negociante Major Joaquim Rodrigues de Barcelos, também atendido
por Santa Rita em seu pedido de se tornar pai.
Em 1881 os padres dominicanos se estabeleceram em Uberaba
realizando sua catequese na Igreja de Santa Rita que se tornou para tantos
fiéis.
Os ritos sagrados são transferidos para a imponente
Igreja de São Domingos inaugurada em 1904 e a Igrejinha de Santa
Rita permaneceu fechada ao culto religioso durante muitos anos, sofrendo
com o desuso, mais uma vez, as conseqüências do tempo.
Enquanto outras Igrejas mais imponentes eram construídas
na cidade, Santa Rita se achava em ruínas, foi quando por volta
de 1939, Gabriel Totti requisitou e conseguiu do recém criado Instituto
do Patrimônio Histórico a Artístico Nacional "IPHAN"
o título de Monumento Histórico para a graciosa construção.
A
Igrejinha de Santa Rita, pela sua singela beleza tornou-se, ponto obrigatório
de visitas e ao longo de sua história, motivo de inspiração
de pintores, poetas e fotógrafos - Anatólio Magalhães,
José Maria dos Reis Júnior, Almeida Carvalho, Genesco Murta,
Ovídio Fernandes e Hélio Siqueira pintaram muitas vezes
e em muitos estilos o monumento aninhado na imponente colina e tendo como
pano de fundo um rico paredão verde. Em ruínas ou restaurado,
fotógrafos, tais como o imigrante Ângelo Prieto e tantos
outros exploram a sensibilidade para registrá-la e guardá-la
como documento para a posteridade.
Com a criação da Fundação
Cultural de Uberaba, seu primeiro Diretor, o poeta Jorge Alberto Nabut,
com empenho do Arcebispo Dom Benedito de Ulhôa Vieira da Cúria
Metropolitana, inauguraram o Museu de Arte Sacra no dia 11 de maio de
1987.
Hoje a Igrejinha de Santa Rita é um espaço
respeitado por todos onde religiosidade, beleza e cultura se mesclam,
enchendo de orgulho e fé a alma do povo uberabense.
Hélio Ademir Siqueira
Fundação Cultural de Uberaba

"ÍCONE" - Pintura sobre madeira -
Trípitico - Doação - Domitila Ribeiro Borges
Histórico: "Ícone" é uma palavra
grega que significa "imagem", representação. No
ícone, a Igreja não vê apenas um aspecto qualquer
do ensinamento cristão, mas a expressão do cristianismo
em sua totalidade.
Por isso, é impossível compreender ou explicar
a arte eclesiástica fora da Igreja e de sua vida. O ícone,
como imagem sagrada, é uma das manifestações da Tradição
da Igreja. A veneração dos ícones do Salvador, da
Mãe de Deus, dos Anjos e dos Santos é um Dogma da fé
cristã que foi formulado no II Concílio Ecumênico
de Nicéia (787) - um dogma que emana da confissão fundamental
da Igreja: a encarnação do Filho de Deus. O ícone
de Nosso Senhor é o testemunho de sua encarnação,
verdadeira, não ilusória. O significado dogmático
do ícone foi claramente formulado durante o período iconoclasta.
CONJUNTO DE CASULA
Tecido bordado com linha e fios de ouro - Ano - 1909
Doação - Dom Benedito de Ulhôa Vieira
Histórico - Conjunto de Casula, Estola, Manípulo,
Pala e Véu do Cálice. Peças encomendadas na França
por Generosa Liberal Pinto para Ordenação Sacerdotal do
filho Pe. Gastão Liberal Pinto, em São Paulo (1909) que
as usou novamente em 1934 ao sagrar-se Bispo de São Carlos (SP).
Foram doadas pela mesma em 1948, a Dom Benedito de Ulhôa Vieira
quando ordenou-se Sacerdote. O Bispo Emérito de Uberaba usou-o
pela segunda vez em agosto de 1978, doando-os então ao Museu de
Arte Sacra, do qual é fundador.
A Casula é bordada em relevo com fios de ouro e
outros materiais. Apresenta nas bordas desenho primoroso inspirado na
vegetação, tendo ao centro grande cruz barroca, com raios,
flores de lis estilizadas, botões de rosas e outros vegetais, numa
exuberante alegoria ao Sagrado Coração de Jesus. Na tradição
católica, as Missas eram rezadas pelo Sacerdote de costas para
os fiéis e de frente para o Altar. Daí a tradição
de enriquecerem os paramentos litúrgicos na face vista pelos fiéis.
SANTA
RITA DE CÁSSIA
Madeira Policromada - Ano - 1854 (aproximadamente) Acervo Museu de Arte
Sacra
Esta escultura em madeira policromada de Santa Rita de
Cássia, ou Santa Rita das Causas Impossíveis, é a
única imagem que restou da Capelinha original erguida pelo advogado
Cândido Justiniano da Lira Gama em 1854.
A imagem é caracterizada com o hábito das
freiras Agostinianas - pintado de marrom escuro com pala branca e véu
também marrom, cingindo a cintura uma cinta preta. Tem olhos de
vidro. Santa Rita é representada com uma chaga na testa - segura
na mão direita um Crucifixo (desaparecido) na esquerda uma palma
entalhada e na cabeça um lindo resplendor de prata, raiado (não
original). A base da imagem foi refeita após a criação
do Museu de Arte Sacra, seguindo o modelo original apodrecido.
A imagem foi devidamente restaurada em novembro de 2003.
Histórico: Rita nasceu na pequena aldeia na região
de Cássia/Itália, província da Úmbria, chamada
Roccaporena, a 22 de maio de 1381, filha do casal Antônio e Amata.
Os historiadores costumam afirmar que a Úmbria é terra de
bandidos e Santos, dada a confusão em que vivia a Europa da época
ameaçada principalmente pela invasão dos mulçumanos.
Foi nesse ambiente agitado que Rita viveu e deu seu testemunho
de fé e santidade. Desde criança, convivendo numa família
católica, Rita imaginava viver a felicidade dentro de um convento,
único lugar reservado a paz e a meditação, mas muitos
outros fatos vão se suceder antes que isso aconteça.
Aos 17 ou 18 anos Rita casa-se com o violento Paulo Ferdinando
jovem famoso na região por suas mazelas e bebedeiras.
A região de Rita Contava com vários conventos
dos frades agostinianos - famosos por sua santidade e pregadores do evangelho.
Como provocação, Rita de Cássia perde o marido assassinado,
e num curto espaço de tempo seus dois filhos que vão vingar
a morte do pai.
Por amor a Deus Rita tenta colocar em prática sua
decisão de infância, de tornar-se religiosa realizando seu
antigo desejo de doação a Deus. Para que as rígidas
regras do convento aceitassem a decisão de Rita, foi necessário
muita persistência, pois os conventos não aceitavam viúvas.
Foi neste espaço de paz e fé cristã
que Rita pode vivenciar tudo que aprendera com a doutrina de Santo Agostinho.
No ano santo de 1450, durante a celebração
do Jubileu, Rita faz uma peregrinação a Roma e nesta caminhada
penosa de Cássia até o centro do cristianismo, a chaga que
Rita tinha aberta na testa, fecha-se como Milagre alcançado pela
fé.
Santa Rita morreu no dia 22 de maio de 1457, contando
76 anos de idade.
A partir de sua morte cresceu a fama de sua santidade,
manifestada através de vários milagres e o humilde convento
das agostinianas de Cássia tornou-se ponto de peregrinação.
Por um privilégio singular Santa Rita nunca foi
enterrada, seu corpo foi colocado em uma caixa de nogueira sob o Altar,
permanecendo intacto até nossos dias na basílica a ela construída
em 1925.
Rita foi beatificada em 1628 e a canonização
foi realizada no dia de Pentecostes no ano santo de 1900. A devoção
a Santa Rita se espalhou rapidamente pelo mundo e são muitas as
homenagens que o povo lhe presta, através da construção
de Igrejas, nomes de cidades, lojas e pessoas.
"RELÍQUIAS" - Conjunto de relíquias
com 63 peças - Doação - Dom Benedito de Ulhôa
Vieira
Uma relíquia é um objeto preservado para
efeitos de veneração no âmbito de uma religião,
sendo normalmente uma peça associada a uma história religiosa.
Podem ser objetos pessoais ou partes do corpo de um Santo. O culto das
relíquias atingiu seu apogeu no catolicismo. As relíquias
são usualmente guardadas em receptáculos próprios
chamados relicários.
Histórico: O primeiro exemplo do culto de uma relíquia
por crentes cristãos surge em 156 em Smyrna (atual Esmirna na Turquia),
a propósito do martírio de São Policarpo relatado,
por exemplo, nas obras de Eusébio de Cesaréia. Depois de
ter sido queimado na fogueira, os discípulos do mártir recuperaram
os ossos calcinados do seu mestre e acolheram-os com objetos sagrados.
Mais tarde diversos milagres foram atribuídos a esta relíquia
e a busca por objetos semelhantes tornou-se cada vez mais popular, conduzindo
por exemplo, à descoberta da Cruz da Crucificação
de Jesus Cristo em cerca de 318 d.C.
As relíquias e o culto aos Santos sempre ocuparam
lugar de destaque na Igreja Católica desde seus primórdios.
Estes costumes foram acentuados no século XVI quando houve o grande
cisma em que o monge Martinho Lutero da Igreja Alemã colocou em
dúvida a venda das indulgências.
As relíquias eram usadas nas Igrejas nas cerimônias
após a Missa do dia do Santo.
Ex: São Sebastião - 20 de janeiro, Santa
Rita - 22 de maio, Santa Cecília - 22 de novembro. Os fiéis
em fila beijavam respeitosamente a relíquia que era apresentada
pelos padres que oficializavam a cerimônia.
PIETÁ
Cerâmica Paulistinha
Século XVIII
Aquisição: Acervo do Museu de Arte Sacra
Na cronologia cristã "Pietá" significa
"piedade". É a Mãe segurando o corpo do Filho
morto momentos sepois de retirado da Cruz.
É um tema recorrente de todos os artistas que sempre
comunicam, através de suas obras, o momento dramático vivido
por Maria.
Pesquisa: Hélio Siqueira
Auxiliar de Ação Cultural: Adriana Cristina Silva e Ozana
Soares Durão
Auxiliar de Serviços Gerais: Renata Ferreira e Jorlano Pontes dos
Santos
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