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Dr. GUIDO BILHARINHO - ESTUDIOSO EXEMPLAR!
Publicado em 18/08/2006
A
riqueza de detalhes, o conhecimento sobre diversos assuntos, dentre eles
o direito, o cinema, a poesia, a política, a situação
econômica em que vivemos... expressam um apaixonado pelas causas que
defende, por Uberaba, pelo Brasil...
Formado em Direito pela antiga Faculdade Nacional de Direito
do Brasil, em dezembro de 1962 e em janeiro de 1963 já começava
sua carreira em Uberaba, dedicando-se especialmente ao Direito do Trabalho
e Direito Civil.
Em Uberaba além de ter sido Diretor por vários por vários
anos da Sub-Seção da Ordem dos Advogados do Brasil, pertence
ao Instituto dos advogados de Minas Gerais, que é um Órgão
Cultural Jurídico dos advogados.
Foi professor durante vários anos da Faculdade de Direito do Triângulo
Mineiro sendo também seu Diretor durante 02 anos. Atualmente é
um dos Conselheiros da Faculdade de Talentos Humanos de Uberaba principalmente
na área jurídica.
Na área cultural pertence desde 1971 a Academia de Letras do Triângulo
Mineiro da qual já foi presidente.
Foi um dos fundadores do Cine Clube de Uberaba que funcionou na década
de 60 e teve uma atividade "muito intensa em Uberaba que introduziu
realmente a perspectiva artística do cinema na cidade. Porque além
das seções com debates e filmes escolhidos, nós realizávamos
palestras e dávamos cursos em Colégios e Faculdades, o que
foi criando uma mentalidade na juventude que descobriu a faceta, a perspectiva
artística do cinema", diz com entusiasmo. Acrescenta que "normalmente
todo mundo encara o cinema como um simples passatempo, uma simples diversão,
o que ele não é, muito pelo contrário."
Relembra que o cinema é a 7ª. Arte e esclarece com pesar mas
com propriedade que o mesmo "acontece com a música e até
na Literatura com o Best Seller comercial. No cinema pelo menos 90%/ 95%
da produção é sem qualificação, produção
que apenas visa o lucro comercial, sem compromisso com as verdades da
natureza humana e nem com a arte".
Desde 1999 vem exercendo, exercitando sua atividade crítica, publicando
livros - uma Coleção de Ensaios
e Críticas Cinematográficas e hoje já
se encontra no 8º. Título, onde nos agraciará com a
sua publicação até o mês de outubro deste ano
- o Cine Musical.
Cada livro tem um tema, seja de Ivan Beckman, Alfred Hitchcok, Faroeste,
Clássicos do Cinema Mudo, Cinema Brasileiro - o último nas
décadas de 80 e 90 sendo que na década de 90 foram 02 volumes.
E está previsto para sair no ano que vem o Cinema Brasileiro na
década de 1970. "São vários livros planejados
em andamento".
"Isso é um esforço para criar uma consciência
crítica do cinema. Porque as pessoas são manipuladas as
que acham que cinema é apenas diversão, não passa
de um espectador manipulado, sem consciência daquilo que está
assistindo".
Dr. Guido Bilharinho também tem trabalhos poéticos, editando
a Revista Dimensão durante 20 anos, "que foi uma Revista que
começou anacronicamente modernista até a mesma se inserir
no que tem de mais vanguarda na poesia do mundo atual".
Expõe "outro problema, que as pessoas têm uma incompreensão
muito profunda do que seja arte. A poesia também sofre igual ao
cinema. As pessoas procuram na poesia a idéia, o seu desenvolvimento,
e quanto mais simples ela for exposta, mais vantagem e mais qualidade
eles acham que aquele texto tem. Mas isso não tem valor nenhum."
Diz com muita segurança que "a idéia não é
o veículo de idéias da poesia, a mesma é para ser
produzida. Arte é produção de beleza, e toda produção
que não visa isso no terreno dessas artes, não é
arte".
Acrescenta que "a poesia sofre muito porque o elemento, a palavra,
é o mais desgastado, uma vez que a usamos continuamente e ela precisa
de um trabalho de sofisticação muito maior para se atingir
a arte".
"Normalmente o que as pessoas consideram em geral não é
poesia, é texto, prosa, nunca uma sofisticação do
uso da palavra e mesmo da própria idéia que está
subjacente naquele encontro de palavras. O objetivo não é
transmitir mensagens, a mesma é transmitida em ensaios, discursos,
em aulas, na prosa", conclui.
Também relata o problema fundamental, muito grande enfrentado por
Uberaba, pelo Brasil, pela América Latina que é a submissão
à exploração econômica internacional. A respeito
disso, Dr. Guido esclarece que "todas essas dificuldades que estamos
tendo, principalmente no Brasil - que é o país mais aquinhoado
pela natureza do mundo e é um dos países menos desenvolvidos
relativamente com suas potencialidades - tem como causa fundamental a
exploração do capital estrangeiro".
Comenta que de 1990 a 2000 "o próprio departamento de Comércio
dos Estados Unidos soltou uma estatística oficial onde diz que
as empresas dos EUA na América Latina mandaram de lucro 1 trilhão
de dólares de rendimentos líquidos para os EUA em 10 anos".
E mais, "esse dinheiro é tirado 24 horas por dia da América
Latina incessantemente".
Sobre a responsabilidade da imprensa a esse respeito, Dr. Guido é
categórico "a grande mídia não fala nada porque
essas grandes companhias multinacionais é quem dão a publicidade.
Se a imprensa começasse a discutir, não precisava nem combater,
e sim discutir esse problema, elas perderiam a publicidade. Então,
o povo brasileiro, o povo da América Latina, estão completamente
desinformados, completamente manipulados pela mídia. Mas a mídia,
por sua vez, não tem uma força em si, ela é um instrumento
dos grupos econômicos."
Com relação à corrupção explana que
"toda essa precariedade nossa, essa falta de emprego, tudo isso é
conseqüência dessa situação internacional. Não
é conseqüência da corrupção, porque nos
EUA também tem corrupção, o mesmo na Europa, no Japão.
O problema é a exploração econômica internacional.
Ninguém o enfrenta. A própria Folha de São Paulo
que publicou essa estatística até em manchete, não
publicou nenhuma linha de comentário a esse respeito, nenhum dos
articulistas comentou essa estatística".
Comentou a respeito dos candidatos à Presidência da República
em relação aos seus projetos de Governo que "nenhum
candidato a Presidente da República atual vai abordar esse assunto.
Todo mundo foge devido ao poderio do capital estrangeiro. E nós
estamos cada vez mais submetidos a ele, não há um segmento
lucrativo no Brasil que não esteja dominado pelo capital estrangeiro.
Esta é a causa de todos os males. Não é como um candidato
que está abordando em sua campanha a educação, porque
é a profissão dele. O que nos adianta formarmos 50 mil engenheiros,
50 mil dentistas, se eles não vão ter emprego. Porque nós
estamos exportando os empregos, já existem quase 3 milhões
de brasileiros fora do Brasil porque - ressalta - não encontram
emprego. A educação é um dos fatores importantíssimos
mas sozinho não resolve os problemas, porque se não tiver
dinheiro não vai ter educação".
E a educação brasileira? "É a pior possível,
o Brasil tem batido recordes negativos. De 30 países pesquisados
no ensino e no aproveitamento da matemática e da língua
o Brasil atinge o trigésimo lugar. Porque nós não
temos também os recursos suficientes para remunerar condignamente
os professores. O problema todo é econômico é a evasão
de toda a lucratividade do Brasil que está sendo carreada para
o exterior", conclui com propriedade.
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