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Bulimia
Publicado no site em 30/10/06
Etimologicamente, a palavra bulimia origina-se do grego bous (boi) e
limos (fome), referindo-se, portanto, a uma fome tão grande quanto
a de um boi. Entretanto esse comportamento alimentar foi visto como
um desvio da normalidade. Referências aos festins romanos revelam-nos
que era hábito a ingestão excessiva de alimentos, a ponto
de criarem o vomitorium local onde podiam aliviar-se dessa farra alimentar.
A bulimia trata-se de episódios de ingestões alimentares
copiosas e descontroladas, em geral secretas e rápidas. São
episódios de verdadeiros empanturramentos, orgias alimentares
alimentares alimentares, nas quais os pacientes só cessam a ingestão
por mal físico, interrupção externa ou por esgotarem-se
os alimentos.
Existem dois tipos de bulimia nervosa:
Tipo purgativo: durante o episódio atual da bulimia, o indivíduo
envolve-se regularmente na auto indução do vômito
ou uso indevido de diuréticos, laxantes.
Tipo sem purgação: durante o episódio atual da
bulimia, o indivíduo usa-se de outros comportamentos compensatórios
inadequados, tais como jejuns ou exercícios excessivos, mas não
envolve-se regularmente na auto-indução de vômitos
ou no uso indevido de laxantes e diuréticos.
A bulimia, normalmente começa por uma necessidade real ou imaginária
de perder peso, decorrente de uma insatisfação com o corpo.
Pacientes bulímicos costumam centrar a avaliação
do que fazem de si mesmos baseando-se quase que exclusivamente em sua
aparência física. Sentimentos de baixa-estima fazem com
que estas pessoas dependam da eficiência de seus métodos
para alcançar o corpo desejado. Tudo funciona como se outros
valores pessoais não existissem ou fossem secundários,
pois os bulímicos só conseguem se sentir bem quando se
enquadram, fisicamente, aos padrões desejáveis pela sociedade.
Chegam a isolar-se de relações, evitar reuniões
sociais ou viagens, quando não se sentem em condições
de preencher tais requisitos.
Eventos estressantes da vida, tais como, perdas e rompimentos afetivos,
dificuldades interpessoais em relacionamentos, entre outras situações
de conflitos como frustrações, rejeições
ou aborrecimentos, podem levar a algum tipo de transtorno alimentar.
Tanto a bulimia quanto a anorexia, são transtornos alimentares
que possuem, primeiramente, uma causa psicológica e, posteriormente
uma causa nutricional, portanto pessoas que suspeitam de possuir tais
transtornos devem ser encaminhadas a um centro de tratamento especializado,
de preferência com uma equipe multidisciplinar. Uma vez no hospital,
ela será avaliada por profissionais especializados como nutricionistas,
psiquiatras e psicólogos. Estes, então, devem verificar
as comorbidades.
Fonte: Olívia Perim Galvão
Pesquisa
Durante a primeira edição do reality show Big Brother
Brasil, o país inteiro tomou contato com um problema que tem
se tornado cada vez mais comum entre as mulheres. No programa, o público
pôde ver, diariamente, os acessos de gula e de remorso da empresária
Leca. Ainda que seu corpo estivesse magro e perfeitamente dentro dos
atuais padrões de beleza, a jovem bem nascida do Big Brother
literalmente purgava sua culpa por comer demais tomando laxantes, fazendo
longos jejuns ou mesmo provocando vômitos. O problema de Leca
é conhecido como bulimia, e pode estar associado a outro ainda
mais grave, a anorexia, que ocorre quando a pessoa simplesmente pára
de se alimentar, podendo vir a falecer em poucos meses (segundo a Organização
Mundial da Saúde, 20% dos casos de anorexia terminam em morte
da paciente).
A anorexia e a bulimia estão entre as principais causas de morte
de mulheres jovens em todo o mundo, e a maioria das vítimas são
adolescentes em período de formação física
e psicológica que colocam em risco suas vidas pelo temor obsessivo
de engordar. Exemplos famosos de anorexia em jovens não faltam:
recentemente ganhou destaque na imprensa aconteceu na China, onde uma
estudante de 15 anos que media 1,65 m e pesava 54 kg começou
uma dieta que acabou levando à sua morte, pesando menos de 30
kg. A doença não escolhe classe social e chegou a círculos
privilegiados, como no caso da filha do presidente francês Jacques
Chirac e da princesa Victoria, da Suécia.
Entre as vítimas mais velhas, é preciso lembrar a modelo
Kate Moss, que já foi hospitalizada por anorexia, e a princesa
Diana, bulímica assumida. Mas, além de chegar à
moda e ao poder, círculos em que a absessão com a aparência
é constante, a anorexia e a bulimia têm tirado o sono de
milhares de famílias anônimas em todo o mundo, que vêem
suas filhas sempre às voltas com dietas e programas de beleza,
e nem sempre sabem reconhecer o limite entre a preocupação
com a beleza e a distorção da auto-imagem. Por isso, em
geral, as famílias só detectam o problema quando a situação
já é de emergência, o que traz maiores os riscos
de que a doença seja fatal.
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