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Seções » Especial

Pesquisa da vida moderna
Semana de Ciência e Tecnologia de Uberaba reúne diversidades do ramo mais promissor dos últimos tempos: a Biotecnologia

Publicado em 05/10/07


Fontes alternativas e renováveis podem ser a solução dos problemas de poluição e devastação da vida moderna. As discussões em torno desse tema são constantes em vários simpósios por todo o Brasil.
O estado de Minas Gerais, segundo levantamento feito pela Anprotec - Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores – é o maior pólo de biotecnologia da América Latina e tem duas regiões promissoras: Belo Horizonte, que possui um grande número de empresas na área e o Triângulo Mineiro onde o desenvolvimento do Agronegócio se destaca.

Pensando nisso, o Arranjo Produtivo Local – Apl de Biotecnologia com seus parceiros reúne em Uberaba nesta semana, produtores rurais de pequeno e médio portes, representantes de entidades relacionadas ao setor, formadores de opinião, representantes do poder público, responsáveis pela formulação de políticas públicas, pesquisadores, alunos de graduação, pós-graduação e técnicos, e todas as pessoas da comunidade interessadas nesse ramo da tecnologia.

Na sexta-feira, 5 de outubro, o encontro vai discutir a Bioenergia e as Inovações Tecnológicas em Biocombustíveis. A esse respeito, conversamos com Dr. Marcelo Fernandes da Silva, diretor do curso de Gestão em Biotecnologia e coordenador de Pós-Graduação na Uniube, sobre a participação da Instituição no evento e a importância da biotecnologia no crescimento para diversos países.

Qual será sua participação na Semana da Biotecnologia?
A nossa contribuição no evento é falar sobre Biocombustíveis, principalmente sobre Biodiesel, porque o evento vai ter um foco maior em bioenergia e biocombustíveis. Então vamos falar de toda parte de bioetanol, outras fontes alternativas e renováveis de energia, e como a gente trabalha no curso de Gestão em Biotecnologia com projetos de biodiesel. Vamos apresentar alguns resultados preliminares de uma nova tecnologia que estamos desenvolvendo para melhorar o rendimento da produção do biodiesel. E convidamos grandes empresas, tanto privadas quanto públicas, que trabalham nessa área de biocombustíveis, para divulgar mais os ramos da biotecnologia, os fóruns de discussões sobre biocombustíveis e tentar fechar mais parcerias entre esses empresários para que eles invistam nas nossas idéias.

O evento está sendo direcionado a um público específico?

Alguns pontos dele são direcionadas a um público específico sim. Por exemplo, tem uma parte que é sobre o girassol, que é a 17º Reunião Nacional de Pesquisa direcionada ao Girassol e o 5º Simpósio Nacional sobre a cultura de girassol, então esse evento tem uma programação específica para quem se inscrever e tiver interesse nessa questão. Outros momentos são voltados mais para empresários, na busca de novos investidores, novos negócios, e tem uma rodada de negociação que acontece na sexta-feira e na parte da tarde caso algum empresário tenha interesse em conversar em particular e obter mais detalhes sobre os projetos. Mas tem também os eventos que são abertos para a toda a comunidade interessada, pois procuramos chamar a comunidade para esclarecimento e divulgação da Biotecnologia.

Qual é a intenção em ir às escolas de ensino médio?
Popularizar a biotecnologia, a questão dos transgênicos, dos biocombustíveis, colocando isso mais próximo do público. E às sextas-feiras, à tarde, as escolas que se interessarem poderão visitar os laboratórios dos parceiros, que é uma forma de aproximar a biotecnologia da pessoa comum, da comunidade em si.

Existe na Uniube pesquisas direcionadas a esse mercado?
No curso de gestão em biotecnologia temos quatro grandes projetos na área de biotecnologia, envolvendo alunos do curso que desde o primeiro período já desenvolvem a pesquisa.
O carro-chefe dos nossos projetos é o Projeto Biodiesel, nós estamos obtendo biodiesel – porque normalmente ele é extraído através de sementes. Você tem óleos vegetais para a produção de biodiesel – e nós estamos produzindo, a partir de gordura animal. Então, tudo aquilo que é refugado na cadeia produtiva da carne, nós estamos criando uma alternativa de produção a partir de um resíduo que seria descartável.
O outro projeto – Biodiversidade dos peixes da bacia do Rio Grande – que temos aqui é desenvolvido em parceria com a Cemig. Com a construção das barragens, os peixes não conseguem percorrer toda a extensão do Rio, dificultando a reprodução de muitas espécies, coisa que tem sido feita pela Cemig em laboratório. Por isso, nosso trabalho é identificar, por meio de DNA, as semelhanças e diferenças entre as espécies, para o programa de reprodução em laboratório e, dessa forma, evitar que muitas delas desapareçam.
Temos, também, o Projeto Bioma Cerrado, que busca identificar espécies da nossa região, plantas, e microorganismos, que possam ter algum interesse genético ou econômico. Coletamos pedacinhos de plantas, pequenos animais, bactérias, para extração do DNA que é colocado num germoplasma, um banco de genes dessas espécies.

Qual sua opinião sobre a sustentabilidade do biodiesel nos últimos tempos, já que muito se discute sobre a matéria-prima a ser utilizada?
O nosso objetivo, enquanto gestores em biotecnologia, é descobrir uma nova fonte de negócio, de custo barato e que gere um produto de interesse econômico.
O óleo extraído da semente da soja, do milho e outros vegetais têm um rendimento distinto na obtenção do biodiesel. A soja requer muito investimento de herbicidas, enquanto o pinhão-manso tem uma variedade mais resistente.
Temos também, a pesquisa sobre o biodiesel através da gordura animal, em que o óleo é extraído da carcaça dos ossos de animais e nós precisamos desse material para transformá-lo em biocombustível. Há protocolo para, através do óleo de cozinha já usado, se obter um bioconbustível. A grande dificuldade é que as pessoas jogam esse resíduo no esgoto, poluindo o meio ambiente, coisa que poderia ser evitada.
É uma discussão complexa e talvez o único ponto em que todos concordam é que a produção de energia, a partir de uma fonte renovável e menos poluente, é a grande meta do milênio.

O que a comunidade poderia fazer para contribuir com essa utilização do óleo?
A aproximação do evento com a comunidade é para colocar esse tipo de questionamento, esclarecer a população sobre os males causados quando se descarta o óleo de cozinha utilizado de maneira inadequada. Aconselhamos as pessoas a colocarem num vasilhame e entregar para o lixeiro levar ou até deixar num posto de gasolina. Futuramente, nós pensamos em criar uma rede de coleta desse material para evitar essa poluição e produzir, a partir disso, combustível.

Como Minas Gerais e a região se colocam nesse campo de pesquisa?
É uma região de grande escala de produção de biocombustíveis, principalmente de origem vegetal. A UFMG tem um laboratório credenciado, responsável pela padronização da qualidade do biodiesel produzido em Minas Gerais.
A Petrobrás possui fábricas de produção de Hbio, uma tecnologia que une o óleo de soja com o diesel para produzir o biodiesel. A empresa tem uma planta em Contagem e há estudos para se desenvolver o trabalho em Araxá.
Em Uberaba, uma empresa chamada Biocombustíveis Uberaba, em processo de incubação na Unitecne - Incubadora de Tecnologias da Uniube - deve se tornar a primeira empresa uberabense a produzir o biocombustível.

Falou-se no País sobre o desmatamento da Floresta Amazônica para a plantação de cana, qual sua opinião?
Minha crença era maior na nossa capacidade de zelar pela Floresta Amazônica. Hoje, não tanto assim, porque os índices de desmatamentos nas últimas décadas só têm aumentado, seja para a criação de gado, ou a plantação de soja. Não concordo pois, no Brasil, encontramos diversas áreas que podem ser utilizadas e são esquecidas, como o Nordeste. Foi só criar um sistema de irrigação, um investimento, e aquela região virou o maior produtor de frutas para exportação. Será que não seria uma alternativa pensarmos em levar as usinas de biodiesel para o Nordeste?

Existe hoje apoio dos governos brasileiros para o desenvolvimento dessa tecnologia?

Existe uma vontade muito grande por parte dos políticos, e a gente vê várias iniciativas de fomento, por parte do CNPq, a Fapemig e a FINEP. Todas as agências financiadoras, ligadas diretamente ao governo federal ou a governos estaduais, têm editais de financiamento para pesquisa nessa área de biocombustíveis. Isso já é um sinal de que há dinheiro no mercado para desenvolver a tecnologia.

Qual é a importância do desenvolvimento da biotecnologia para o país?
Quanto mais investirmos no desenvolvimento da tecnologia, mais empregos poderão ser gerados, beneficiando um número maior de pessoas. Eu vejo a biotecnologia como uma atividade de negócio consciente e que tem como função principal melhorar a qualidade da vida humana. Eu acho que ela é uma das formas de contribuição para o crescimento do Brasil.

Silvia Ester / AssCom. Unitecne
3319-8894


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