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Seções » Especial Homens praticam mais esportes Publicado em 31/08/07
O esporte costuma ser, já há um bom tempo, um assunto relacionado ao gosto masculino. E esta, de acordo com estudo da Secretaria de Estado da Saúde, de São Paulo, não é uma simples crença popular. No que diz respeito aos esportes, as mulheres correm atrás dos homens. Os números da pesquisa, que foi realizada em todas as regiões paulistas (Grande São Paulo, litoral e interior), com critérios estabelecidos pelo Censo de 2000, não deixam dúvidas. Com 41 milhões de habitantes, o Estado tem 9 milhões de homens que praticam esporte pelo menos uma vez por semana, um percentual de 45,2% do total de 20 milhões. Já no caso das mulheres o índice das que praticam esporte rotineiramente é de apenas 25,3% dentre as 21 milhões que residem em São Paulo. "Em geral, os homens costumam praticar mais atividade física
porque gostam e acompanham mais os esportes. Desde a infância,
os esportes ficam caracterizados como atividades predominantemente masculinas
e é muito comum, nas datas festivas, os presentes serem camisas
dos times de futebol, bolas, bicicletas, skates e outros artigos que
estimulem a prática esportiva, enquanto as meninas ganham vestidos,
bonecas, ou bichos de pelúcia", esclarece o professor de
musculação e personal trainer Stefan Chinem, da Bio Ritmo
Academia, também pós-graduado em reabilitação
cardiovascular e fisiologia do exercício pelo Incor (HC - FMUSP). Se a diferença de tratamento pode ser um motivo para explicar o estudo, o contrário também vale. A igualdade profissional entre homens e mulheres é algo cada vez mais presente, porém, acarreta outros problemas. "Pela CLT, a mulher precisa trabalhar menos tempo para se aposentar e, estatisticamente, vive mais. Contudo, os legisladores sabem que, quando a mulher trabalha fora, faz o trabalho de casa também (dupla jornada) e com cada vez menos tempo disponível, menos atividades física são praticadas", analisa Chinem. Outro fator que explica a preferência dos homens pelo esporte está ligado a uma característica tida como mais feminina: a vaidade. De acordo com o professor, "houve um aumento considerável no mercado da vaidade masculina no mundo todo. Algumas clínicas de estética de São Paulo já têm 50% de seus clientes do sexo masculino". "A vaidade masculina pode ser assumida e é mais um fator a ser considerado. Mas, a razão pela qual a prática de atividades físicas é maior entre os homens vem de longo tempo", completa Marília. O homem como foco Ao contrário do que geralmente acontece com as mulheres, de acordo com Chinem, os homens costumam ver o esporte como prazer e não como obrigação. Por este motivo, acabam tendo mais motivação. É uma questão de natureza competitiva masculina, que age também no trabalho, nos estudos e nos círculos de amizade. Os homens estão sempre disputando. "As mulheres também são muito competitivas entre si, mas preferem atividades individuais como treinar na academia, onde vão para a esteira ou bicicleta, fazem uma aula de ginástica localizada e vão embora", explica. Até por este motivo, a publicidade esportiva tende a direcionar mais esforços para eles. "Atualmente, um maior número de peças publicitárias é destinado às mulheres, contudo o estigma das práticas ditas femininas ou masculinas é que provoca uma diferença considerável. Podemos observar que, na maioria das vezes, as campanhas destinadas ao público feminino estão atreladas mais ao alcance dos padrões de beleza vigentes do que a conceitos como saúde, sociabilização, superação ou entretenimento"analisa Marília. Virando o jogo A questão da mulher envolvida com o esporte vem de longe, quando elas eram desprestigiadas nas Olimpíadas. "As primeiras modalidades aceitas pelo Comitê Olímpico Internacional, por pressão de expressões liberais e feministas francesas na segunda edição dos Jogos Olímpicos Modernos, foram o tênis e o golfe, e possíveis outras, tais como a vela. A competitividade era vista como característica masculina e a diferenciação entre os gêneros era fundamental", lembra Marília. De acordo com Chinem, as mulheres gostam mesmo de exercícios que queimam gorduras, como aulas aeróbicas, esteira, bicicleta, step e ginástica localizada. "Convencer uma mulher a fazer musculação, normalmente, é um desafio dos grandes", brinca. "Observo em alunas de ensino médio que a preferência é para esportes coletivos sem contato físico entre os oponentes como o vôlei, por exemplo, e de intensidades moderadas, como as caminhadas ou, então, práticas que supostamente desenvolvam atributos femininos, como a dança e algumas modalidades de ginástica. Mas, as exceções têm ganhado cada vez mais espaço", diz Marília. Para fazer com que o esporte se torne um hábito rotineiro também para as mulheres, é importante focar em atividades mais adequadas para elas. "A musculação é a mais indicada porque promove fortalecimento dos ossos e músculos (as mulheres sofrem muito mais de enfraquecimento dos ossos - osteoporose - que os homens), diminui a gordura corporal e celulite (as mulheres estocam gordura com mais facilidade), acelera o metabolismo e tem o risco de lesões muito baixo. Mas, costumo dizer que a atividade mais indicada é aquela que a pessoa mais gosta e, assim, tende a fazer por mais tempo", orienta o personal trainer. O incentivo para que as mulheres pratiquem mais esportes também passa por uma maior conscientização. "Podemos acabar com alguns mitos como aqueles que dizem 'mulheres que fazem musculação ficam com músculos enormes' ou 'esporte é coisa de gente rica que tem tempo sobrando'", diz Chinem. "A menos que se fale em gestação, não há
esporte contra-indicado à prática feminina. Isto é
um mito. O que existe são objetivos a serem atingidos por diferentes
indivíduos. A escolha da prática esportiva é determinada
pelas preferências, vontades e aptidões de cada um, independentemente
do gênero", completa Marília. A pesquisadora vai além:
"Acredito que a desmistificação da prática
esportiva traria benefícios em todos os sentidos. A diversidade
de práticas, atividades e propostas está a serviço
de todos". |
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