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Seções » Especial

A magia do Natal

Publicado em 20/12/07
Por: Sônia Maria Teixeira da Silva

Aquela família morava na margem do rio, em uma casa de madeira, humilde, coberta de palha, mas era feliz com o pouco que tinha.
Bem cedinho, o marido saía para pescar, retornando algumas horas depois com uns poucos peixes que eramentregues à mulher para o almoço.
A mulher cuidava da casinha, lavava a roupa na beira do rio, cozinhava para a família e plantava alguns legumes no quintal.
Os três filhos do casal, duas meninas e um menino, de sete, cinco e quatro anos, brincavam com caixas de papelão e tampas de latas, pois não tinham brinquedos.
À noite, sem energia elétrica, ficavam sentados em torno de uma lamparina, conversando, alimentando sonhos, até a hora de dormir.
O marido fazia cestos de palha para vender no povoado mais próximo e também comercializava o açaí e as frutas da época, colhidos em seu terreno.
O maior sonho daqueles pais era poder comprar duas bonecas (uma para cada filha) e uma bola (para o filho).
O dinheirinho ganho pelo marido só dava para adquirir alimentos básicos e alguns produtos necessários para a sobrevivência da família.
Às vésperas do Natal, as crianças foram passear com os pais na capital, com passagens gratuitas oferecidas pelo dono de um barco.
Foi uma alegria enorme! Elas ficaram entusiasmadas com o Papai Noel que encontraram numa loja do centro comercial.
Pediram ao bom velhinho que lhes trouxesse duas bonecas e uma bola. Nada muito caro.
As crianças manifestaram tanta emoção que o Papai Noel perguntou onde elas moravam; quando o pai explicou a ele como chegar ao humilde endereço, as crianças ficaram muito tristes e disseram aos pais:- Ah! O Papai Noel não vai lá; ele não sabe remar.
Diante daqueles olhos tristes, o homem vestido de Papai Noel prometeu a si mesmo que iria dar alegria àquelas crianças.
No Dia de Natal, os pais estavam sentados nos degraus da escada do barraco, arrependidos de terem levado as crianças para dar um passeio na capital.
Melhor teria sido comprar-lhes, ainda que com muito sacrifício, duas bonecas e uma bola.
Perguntaram aos filhos se eles não teriam preferido os brinquedos ao passeio na capital.
As crianças responderam que adoraram o passeio com os pais e que ficaram mais felizes por terem visto e falado com o Papai Noel.
O Papai Noel era mais importante que os próprios brinquedos!Como um milagre de Deus, um barco que navegava pelo rio se aproximou da casinha humilde e atracou em frente. Dele saiu o Papai Noel que a família havia conhecido na capital.
O homem vestido de Papai Noel passou o melhor Natal de sua vida, levando muitos brinquedos para aquelas crianças, além de presentes úteis para os pais.
O Papai Noel - que não era rico - gastou suas economias para ter a satisfação de ver a alegria daquela família.
As crianças ficaram maravilhadas!
Ganharam as bonecas e a bola que pediram e outros brinquedos mais.
Choraram emocionadas e abraçaram o Papai Noel dizendo-lhe que estavam muito felizes por tê-lo ali.
Os brinquedos eram desejados, mas doados pelo Papai Noel traziam a magia e o verdadeiro sentido do NATAL!

Papai Noel, uma lenda cercada de mistério e magia

Quem nunca acreditou em Papai Noel? Um velhinho com roupas vermelhas, barba branca, cinto e botas pretos que passa de casa em casa para deixar presentes às famílias. De geração em geração, a lenda do Santa Clauss ganha mais realidade no mês de dezembro, quando o mundo celebra o nascimento de Jesus Cristo. Será que ele existe? Será lenda? Bem, isso depende de cada um. Mas diz a história que o bom velhinho foi inspirado na figura de um bispo que de fato existiu.

São Nicolau nasceu no século 3, em Patras, na Grécia. Quando seus pais morreram, ele doou todos os seus bens e optou pela vida religiosa. Com apenas 19 anos, foi ordenado sacerdote e logo tornou-se arcebispo de Mira. Dizia-se que na cidade em que ele nasceu viviam três irmãs que não podiam se casar por não ter dinheiro para o dote. O pai das meninas resolveu, então, vendê-las conforme fossem atingindo a idade adulta. Quando a primeira ia ser vendida, Nicolau soube do que estava acontecendo e, em segredo, jogou através da janela uma bolsa cheia de moedas de ouro, que foi cair numa meia posta para secar na chaminé. A mesma coisa aconteceu quando chegou a vez da segunda. O pai, afim de descobrir o que estava acontecendo, permaneceu espiando a noite toda. Ele então reconheceu Nicolau, e pregou sua generosidade a todo o mundo.

A fama de generoso do bom velhinho, que foi considerado santo pela Igreja Católica, transcendeu sua região, e as pessoas começaram a atribuir a ele todo tipo de milagres e lendas. Em meados do século 13, a comemoração do dia de São Nicolau passou da primavera para o dia 6 de dezembro, e sua figura foi relacionada com as crianças, a quem deixava presentes vestido de bispo e montado em burro. Na época da Contra-reforma, a Igreja católica propôs que São Nicolau passasse a entregar os presentes no dia 25 de dezembro, tal como fazia o Menino Jesus, segundo a tradição destes tempos e que ainda hoje continua em alguns pontos da América Latina.

Os holandeses, no século 17, levaram para os Estados Unidos a tradição de presentear as crianças usando a lenda de São Nicolau - a quem eles chamavam Sinter Klaas. Os verdadeiros impulsores do mito de Santa Claus - nome que o Papai Noel recebeu nos Estados Unidos - foram dois escritores de Nova York. O primeiro, Washington Irving, escreveu em 1809 um livro em que São Nicolau já não usava a vestimenta de bispo, transformando-o em um personagem bonachão e bondoso, que montava um cavalo voador e jogava presentes pelas chaminés. Em 1823, um poema de um professor universitário, Clement C. Moore, enalteceu a aura mágica que Irving havia criado para a personagem, trocando o cavalo branco por renas que puxavam um trenó.

Ao longo do século 19, Santa Claus foi representado de muitas maneiras. Ele teve diferentes tamanhos, vestimentas e expressões, desde um gnomo jovial até um homem maduro de aspecto severo. Em 1862, o desenhista norte-americano de origem alemã Thomas Nast realizou a primeira ilustração de Santa Claus descendo por uma chaminé, embora ainda tivesse o tamanho de um duende. Pouco a pouco ele começa a ficar mais alto e barrigudo, ganhar barba e bigode brancos e a aparecer no Pólo Norte.

O símbolo de Santa Claus foi logo utilizado pela publicidade comercial. Em 1931, a Coca-Cola encomendou ao artista Habdon Sundblom a remodelação do Santa Claus de Nast para torná-lo ainda mais próximo. Sundblom se inspirou em um vendedor aposentado e assim nasceu - de uma propaganda da Coca-Cola! - o Papai Noel que a gente conhece.

Fonte: Terra


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