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LEITE, ANALISANDO O PASSADO E ENTENDENDO O PRESENTE.
II parte.
Publicado em 29/09/07
Por: José Carlos da Silva*
Os produtores de leite tiveram que adaptar para continuar na atividade,
reduzindo custos e tiveram que optar pelo crescimento extensivo da produção,
em detrimento da via intensiva. O sistema de produção
foi coerente com a dotação de fatores: empregou intensamente
os fatores abundantes - recursos naturais e mão-de-obra de baixo
nível de qualificação - poupando aqueles de oferta
relativamente inelástica (capital, mão-de-obra qualificada).
Pode-se dizer que o setor leiteiro constituiu um caso de "atraso
tecnológico induzido". A atividade tornou-se, em grande
parte, semi-extrativista. O uso de insumos "modernos" foi
reduzido ao mínimo indispensável, às pastagens
(durante as duas primeiras décadas do pós-guerra) foram
fundamentalmente às nativas. Pastagens melhoradas e adubadas
somente na década de 70 passaram a ter expressão.
Não houve demanda de tecnologia moderna e as instituições
de pesquisa não priorizaram o desenvolvimento desta tecnologia
para o leite. Para que a oferta, se não havia demanda? O risco
de descasamento de preços de insumos e produto foi assim minimizado.
O fim da regulação, em 1991, coincidiu com o avanço
do processo de liberalização comercial e com a explosão
inflacionária.
A estratégia de redução de custos e riscos teve
outro componente de efeitos até mais duradouros que os anteriores:
a não-especialização do rebanho. Admite-se que
o preço do leite seja inversamente correlacionado com o da carne.
Assim sendo, para fazer face à oscilação de ambos,
a melhor estratégia é a utilização de rebanho
de dupla aptidão para leite e carne. Exatamente isto foi feito.
Resultado: baixa produtividade do rebanho de leite e de carne. Esta
estratégia de sobrevivência do produtor redundou em prejuízo
para a sociedade que teve de se contentar com produtos de qualidade
inferior e em menor quantidade.
Outro ponto a considerar é que as pastagens degradadas2 são
também causas importantes da baixa produtividade do rebanho leiteiro,
com perdas significativas de renda para os produtores. Estima-se que
80% do leite produzido no País sejam provenientes da produção
a pasto, com predominância de pastagens degradadas de Brachiaria,
fazendo com que a erosão dos solos e o uso de agrotóxicos
sejam maiores nestas áreas.
O pesquisador SCALEA, 1997 diz que os principais problemas dos sistemas
convencionais são que 50% das pastagens cultivadas estão
comprometidas devido à baixa fertilidade natural dos solos e
o uso de baixa tecnologia, acarretando perda anual de 38 milhões
de arrobas de carne, ou seja, US$ 1 bilhão por ano.
Estas perdas referentes à pecuária de leite não
têm sido quantificadas, porém estima-se uma perda de 3,6
bilhões de litros de leite inspecionado por ano, correspondendo
a US$ 500 milhões, admitindo-se uma ineficiência no segmento
da produção da ordem de 30% diz TUPY, 1998.
A simples troca do gênero Brachiaria, principalmente a espécie
B. decumbens, por outros com maior potencial de resposta à fertilização
nitrogenada, poderá proporcionar condições para
que a produtividade da pecuária de corte e de leite saiam dos
atuais 30 kg PV/ha/ano e 900 kg de leite/ha/ano.
Não deixe de ler o próximo artigo, e veja que não
foi só o rebanho que não se especializou, o produtor também
não.
* José Carlos da Silva, engenheiro agrônomo, professor
do Curso de Gestão em Agronegócio do UNIARAXÁ,
doutorando.
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