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LEITE, ANALISANDO O PASSADO E ENTENDENDO O PRESENTE.
I parte.
Publicado em 14/09/07
Por: José Carlos da Silva*
Em 1996 o Brasil era o 6º maior produtor mundial de leite, logo
abaixo dos Estados Unidos Rússia, Índia, Alemanha e França
(MORALES, 1996).
Nos últimos 32 anos, as produções brasileira, mexicana
e argentina, comparativamente a produção de outros países
mais importantes no cenário mundial, foram as que mais cresceram
no cenário mundial. A produção brasileira é
praticamente o dobro da produção da Nova Zelândia
e mais do que o dobro da Argentina, ambos os países considerados
referências na produção e exportação
mundial de leite. Entretanto, os níveis de produtividade brasileira,
continuam sendo baixos. O pesquisador MATTOS, relata ainda que a média
de rebanho, segundo as estatísticas, varia em termos de 790 a
1.057 litros/vaca/ano, contrastando com a média mundial superior
a 2.000 litros, colocando o Brasil em 107º lugar no item produtividade.
Vários estudos de diagnósticos tiveram como foco principal
de análise as ineficiências do segmento de produção
leiteira primária no Brasil.
De acordo com os pesquisadores da cadeia produtiva do leite, o regime
de tabelamento de preços, imposto por tantos anos no Brasil,
foi prejudicial à modernização da pecuária
de leite, provocando desinteresse para investimentos na produção,
dependência de importações, predominância
de rebanhos não especializados e manutenção e fortalecimento
do mercado informal.
Isto é intrigante pois a produção leiteira está
estreitamente vinculada a um setor industrial. Para explicar essa questão,
levantam-se algumas hipóteses. A primeira é a de que o
leite tenha sido vítima de políticas populistas, tão
comuns na América Latina. Segundo essa hipótese, a falta
de sorte do setor de lácteos foi o de leite ter sido identificado
como item básico da dieta popular e, mais grave ainda, ter peso
elevado nos índices de custo de vida.
Durante mais de 40 anos (de 1945 a 1991), o governo fixou o preço
(nominal) do leite ao produtor, ao consumidor e as margens de rentabilidade
de cada um dos elos da cadeia produtiva.
As inovações chegam e se instalam, a classificação
do leite em A, B e C ainda persiste, embora tenha perdido espaço
para o leite longa vida - leite esterilizado. Respondendo aos desestímulos
do regulamento, todos os segmentos da cadeia produtiva, praticamente,
se estagnaram.
Os avanços tecnológicos foram episódicos, ficaram
restritos àquelas propriedades que abasteciam os mercados do
leite pasteurizado tipos A e B. A gama de produtos oferecida aos consumidores
permaneceu quase inalterada durante quatro décadas. Para se ter
uma idéia da dimensão do problema, nota-se que o iogurte
fez o seu debut no mercado brasileiro somente nos anos setenta. Há
cerca de 20 anos, existia apenas seis variedades de queijo no mercado,
contra mais de sessenta, atualmente.
Todavia, leite tabelado nunca significou remuneração adequada
ao produtor e, muito menos, estabilidade de preços reais. Inflação
elevada foi à tônica de quase todo o período e os
preços recebidos pelos produtores foram excessivamente instáveis.
Ainda hoje, produzir leite envolve considerável risco financeiro.
Não deixe de ler o próximo artigo, onde vocês vão
conhecer todas as adaptações e circunstâncias que
os produtores tiveram que adaptar para continuar na atividade.
* José Carlos da Silva, engenheiro agrônomo, professor
do Curso de Gestão em Agronegócio do UNIARAXÁ,
doutorando.
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