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DEPOIMENTOS CONCANA


 


ROBERTO RODRIGUES – EX -MINISTRO DA AGRICULTURA


Tem gente que fala bioenergia por puro preconceito. Na verdade, o termo correto é agroenergia. O agronegócio terá um papel relevante no desenvolvimento da humanidade. No século XX o grande problema foi a Segurança Alimentar. Já a questão da Segurança Energética ganhou dimensão no século XXI. Com isso, foi preciso criar outras formas de energia. O que vai alimentar o mundo, como estratégia do século XXI, é a Segurança Energética. Os biocombustíveis são vantajosos em vários aspectos: ganhos ambientais, renovabilidade, aspectos econômicos, aspectos sociais, político (democracia). A experiência com o pró-álcool nos mostrou que a história se repete, as crises se repetem. A gente tem memória frágil. Em 12 anos tivemos três crises da cana: falta, excesso, falta, excesso. Incomoda-me muito ver o que acontece no Brasil - essa total falta de estratégia de projetos ou de uma linha que o país deve seguir. Temos 220 milhões de hectares para pastagens. Desse montante, 90 milhões são aptos para a agricultura. E desses 90, 22 milhões são aptos para a cana. E ainda, sobram 68 para alimentos. É burrice falar que os alimentos serão superados por causa do etanol. Nenhum país no mundo tem a capacidade de plantar alimentos e frango como o Brasil. Temos que trabalhar agora para desmistificar esta cultura de que o etanol vai acabar com a agricultura. Ninguém compete com o Brasil em termos de volume. Mas, o Brasil precisa vender inteligência, logística, usina de álcool, tecnologia e não apenas álcool. Enquanto houver as tarifas no país, os recursos devem ir para investimentos em pesquisas. Proponho, então, a criação de uma secretaria, com status de ministério, para a agroenergia. Estou muito preocupado com as crises. Mais grave não é a escassez e sim a abundância da cana. Vejo cana sendo plantada em todos os lugares. Temos que definir uma estratégia, igual o Bush definiu em janeiro deste ano que em 2017 vai substituir um volume considerável de petróleo por etanol. Então, devemos estabelecer logística, formas de crédito e investir em tecnologia. Precisamos exportar usina e para isso tem que ter gente atuando num programa de recursos humanos. A certificação é outro ponto estratégico. É preciso criar mecanismos, pois a rastreabilidade é essencial. Temos que definir a alcoolquímica e aproveitar esse momento. Definir ainda os impactos ambientais, discutir os modelos de implantação de novas indústrias e equipamentos. É preciso formatar um programa agrícola articulado. Falta uma estratégia. Nessa carta que Uberaba está preparando para ser apresentada ao governo federal, com as demandas desse Congresso, precisamos destacar um programa agrícola articulado para que o governo monte uma secretaria de agroenergia.



LUÍS CUSTÓDIO – PRESIDENTE DO SIAMIG E DO SINDAÇÚCAR

“A novidade mais recente para o setor foi o comunicado do presidente do (BID) Banco Interamericano de Desenvolvimento ao governador Aécio Neves, na Colômbia, para instalar um centro de excelência e tecnologia do etanol em Minas Gerais. Agora, aguardamos a chegada dos técnicos do BID, dentro de quatro semanas, para ver o formato desse novo centro. Estamos preparados para a nova safra - que será recorde em Minas Gerais. Na safra passada, tivemos 29 milhões de toneladas de cana e teremos, este ano, 37 milhões. Sem dúvida nenhuma, Minas será o estado que mais vai crescer. De dez anos pra cá, foi o estado que mais cresceu no Brasil. Cresceu em média 10% e nesses últimos cinco meses mais 12%”.

JOSÉ OLAVO BORGES – PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO EDUCACIONAL PARA DESENVOLVIMENTO DAS CIÊNCIAS AGRÁRIAS

“A expansão do setor sucroalcooleiro não gera desacordo nenhum entre a pecuária e a agricultura brasileira. Pelo contrário! A cana vai proporcionar novos horizontes à pecuária. O pecuarista também vai ser um canavieiro, ou seja, ele também vai ser um produtor de cana e vai ter um espaço pro seu gado. A direção da pecuária realmente são as fronteiras agrícolas. Não tem como segurar isso devido a grande valorização das terras. É importante ter a consciência de que Minas Gerais, principalmente o Triângulo é uma região privilegiada porque em Uberaba está localizada a maior zebuinocultura do mundo. Temos também um pólo muito grande e crescente de usinas de açúcar e álcool. Serão instaladas mais três usinas aqui na região dentro de pouco tempo. Também somos campeões de produtividade de milho, soja e frangos. Então, cada dia mais, a região se desenvolve melhor e torna-se um grande pólo na nação. E a pecuária não vê isso com maus olhos. Ela vê isso com bons olhos, porque o crescimento também valoriza o nosso produto, pois, à medida que a cana avança pelo sertão, o rebanho brasileiro também é valorizado”.

PAULO PIAU – DEPUTADO FEDERAL

“O Brasil, pela segunda, vez tem uma grande oportunidade. A primeira foi na década de setenta com o alimento. Hoje, o país senta com as grandes nações para discutir o problema do abastecimento da população. Agora, com a crise do petróleo e o barril com um custo de mais de sessenta dólares, todos voltam os olhos para nossa cana e vê o nosso etanol como uma alternativa. O etanol, como matriz energética dos países mais desenvolvidos, nos dá a grande oportunidade de gerar riquezas e gerar empregos. Mas, tudo na vida tem que ter um equilíbrio. Não adianta agredirmos o ambiente, nem dizer que não é possível produzir. Precisamos produzir e fazer um desenvolvimento sustentável. Não é possível produzir sem agredir o meio ambiente, como querem os ambientalistas. Então, precisamos encontrar um meio termo, um equilíbrio para manter a produção em harmonia com as bases do meio ambiente. Nós estamos aprendendo, encontrando o caminho através da legislação, da fiscalização e principalmente através da conscientização dos produtores e dos empresários pela preservação do nosso meio ambiente”.


MA TIEN MIN – PRESIDENTE DA COMISSÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR DA FAEMG NO ESTADO

“O fato de haver esse crescimento no setor sucroalcooleiro mostra que os empresários viram, aqui na região, um bom futuro para o setor. Dentro de Minas, essa é a região que mais cresceu e que mais vai crescer, tanto pela sua localização, como pelas suas terras. Isso é uma questão de visão empresarial e visão estratégica. Fizeram uma boa escolha vindo pra cá, pela proximidade com São Paulo. O maior desafio da região é saber produzir com muita responsabilidade. Eu creio que, hoje, com o conhecimento que temos nas técnicas de produção, nas técnicas de conservação, podemos aliar tudo isso e fazer aqui uma atividade bastante moderna e responsável. Se soubermos trabalhar, conseguiremos fazer isso. Certamente a logística é um desafio, pois o que produzimos tem que ser levado para um porto - se quisermos exportar. Essa questão da logística é fundamental, pois do contrário para onde vai a nossa produção?”


JOÃO VICENTE DINIZ – SUPERINTENDENTE DO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA EM MINAS GERAIS

“Uberaba está saindo na frente com certa vantagem: tem um prefeito, o Anderson Adauto, que apóia o Governo Federal. A região é muito propícia para cana-de-açúcar. Sou de uma cidade que tinha uma usina de açúcar, mas ela fechou há alguns anos. Você não imagina a falta que faz essa usina! Com a abertura de várias usinas no Triângulo Mineiro, o progresso será grande para a região. Mas deve existir uma cautela muito grande para que o pessoal não se anime muito e largue o gado, a soja. Até porque devemos contrabalancear tudo isso. Uberaba está de parabéns por ter saído na frente com este Congresso”.


RIVALDO MACHADO BORGES – PRESIDENTE DO SINDICATO DOS PRODUTORES RURAIS DE UBERABA

“Foi com grande entusiasmo que recebi o convite do João Machado para trabalhar junto com ele num evento de tanta magnitude. O Congresso ocorre num momento muito expressivo, em função da cana-de-açúcar ser, hoje, a vedete da agricultura. O produto, que era alimento, foi transformado em energia e fez com que certas commodities como o milho e a soja recuperassem seus preços. A cana está vindo numa boa hora como um resultado positivo de longas décadas de trabalho. Temos know how nessa área. Quem sabe Uberaba, a capital do Zebu, passe a ser a capital da cana também. O mundo está com os olhos voltados para esse assunto. E o Concana vai atingir toda a classe produtiva da região, desde o pequeno até o grande produtor, além dos técnicos. O evento reúne pessoas de alto nível. Uberaba acertou “na mosca”. O Concana vai ficar na história”.


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