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Campanha da Fraternidade de 2008
Publicado em 09/07/07
A Campanha da Fraternidade de 2008 já tem tema: Fraternidade
e defesa da vida; e o lema é: escolhe, pois, a vida.
Este tema assume importância sempre maior no Brasil e no mundo
em vista das ameaças e agressões constantes à vida,
o bem mais importante e precioso sobre a face da terra.
Nas suas múltiplas formas e manifestações, a vida
é um bem impagável e indisponível; cada ser vivo
manifesta, à sua maneira, a sabedoria e a insondável providência
de Deus Criador. Não criamos a vida, mas temos o tremendo poder
de destruí-la; e a destruição da vida pelo descuido
e a imprudência humanas, ou pela ganância sistemática
e cega, é ofensa ao Criador. Muitas formas de agressão
ao ambiente, bem como a interferência leviana na natureza dos
organismos vivos, coloca em sério risco a existência da
muitos seres vivos, vegetais ou animais. Vem ao caso de perguntar: que
tipo de mundo e ambiente estamos preparando para as gerações
que virão depois de nós?!
Tratando-se da vida humana, as questões tornam-se ainda mais
preocupantes. A pobreza extrema e a falta de políticas sociais
adequadas deixam a vida humana exposta a situações de
risco e precariedade. A violência endêmica e o crime organizado
ceifam numerosas vidas humanas, lamentavelmente, muitas delas, em plena
flor da juventude! Submetida à lógica do mercado e da
vantagem econômica, a vida humana acaba valendo muito pouco. A
degradação ambiental, a contaminação e poluição
das águas e do ar, em conseqüência de políticas
econômicas irresponsáveis, desencadeiam mecanismos que
põem em risco a própria sobrevivência da vida no
nosso planeta.
É impressionante o número de abortos clandestinos realizados
todos os anos no Brasil. São seres humanos inocentes e indefesos
rejeitados, aos quais é negada a participação no
banquete da vida. E com os abortos clandestinos, tantas mulheres também
perdem a vida, em conseqüência de abortos mal-feitos. Legalizar
o aborto seria a solução, para salvar a vida de muitas
mulheres? É o que alguns pretendem. Mas essa solução
seria trágica, cruel e imoral, pois ambas as vidas são
preciosas, tanto mais, quanto menos culpa têm a pagar. A vida
da mãe e do filho precisa ser preservada. A solução
é a educação para a maior valorização
da vida humana e para comportamentos sexuais conseqüentes com a
grande responsabilidade de transmitir a vida a um novo ser humano.
Ameaça não menos preocupante para a vida humana é
a pretensão de legalizar a eutanásia, uma intervenção
intencional e direta para suprimir a vida humana. O ser humano, desde
o início da história, sempre teve a tentação
de se tornar senhor absoluto da vida e da morte; claro, é pretensão
dos fortes sobre os mais fracos. E isso não lhe trouxe nada de
bom. Só Deus é senhor da vida, porque só ele é
capaz de chamar do nada à existência e de dar plenitude
à vida humana. Por isso escreveu no coração do
homem esta ordem: não matarás!
Proteger, defender e promover a vida é tarefa primordial do Estado,
sobretudo a vida indefesa e frágil, como a dos seres humanos
ainda não-nascidos, das crianças, idosos, pobres, doentes
ou pessoas com deficiência. É ação política
por excelência, que não poderá orientar-se pela
lógica do salve-se quem puder, que só beneficiaria
os mais fortes; ela requer o envolvimento solidário de todos
os cidadãos. A defesa da vida e da dignidade dos outros seres
humanos contra toda forma de agressão, prepotência ou aviltamento
interessa a toda a família humana; é manifestação
suprema de fraternidade.
O lema escolhe, pois, a vida (Dt 31,19b) é
tomado do livro do Deuteronômio. O povo hebreu, beneficiado pela
ação libertadora e salvadora do Deus da vida, é
colocado por Moisés diante da grave alternativa: escolher a vida
e um futuro esperançoso para si e seus descendentes, permanecendo
fiel aos mandamentos de Deus, ou escolher a morte, andando por caminhos
de idolatria e servindo a deuses fabricados para a própria
conveniência. Isso vale para a globalidade das decisões
humanas: nossas escolhas têm conseqüências sobre a
vida e o futuro. A escolha livre e responsável do respeito aos
mandamentos de Deus e do seu desígnio de vida significa bênção,
esperança, futuro. O desprezo ao desígnio do Deus da vida
e seus mandamentos traz a desgraça, a morte.
Esta é a grande questão posta pela Campanha da Fraternidade
de 2008, que será ocasião para refletir sobre a
complexa problemática que atinge a vida sobre a terra, em especial,
a vida humana. Está em jogo o futuro da vida na Terra, nossa
casa comum, e de todos os seus habitantes. Uma solução
responsável só poderá ser solidária e fraterna,
no pleno respeito ao desígnio de Deus Criador e Senhor da vida
- D.Odilo Pedro Scherer - Bispo Auxiliar de São Paulo e Secretário-Geral
da CNBB - Fonte: www.cnbb.org.br
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