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Seções » Especial DA AGRICULTURA ORGÂNICA À AGROECOLOGIA Publicado em 03/01/08 Por: Cristiane de Jesus Barbosa* A agricultura orgânica de substituição de insumos conserva a mesma mentalidade do fator limite da agricultura conservadora, que conduziu as pesquisas agrícolas convencionais do passado. Esta mentalidade está enfocada na lei do mínimo onde, em um determinado momento, há sempre um fator que limita o incremento da produção e este fator pode ser superado via aplicação de um insumo externo apropriado. Superado este fator pela adição de insumos, os seguintes também serão combatidos pela adição de outro insumo. Este processo continua consecutivamente a cada novo fator limite encontrado. É a forma de simplificação do problema, uma abordagem não holística do sistema agrícola, uma abordagem simplista, principalmente porque conserva o modelo de monocultivos. A agricultura orgânica com este modelo de substituição de insumos logra substituir os insumos químicos por aqueles ditos biológicos, que muitas vezes tem um custo muito mais elevado que os da agricultura convencional. Deste modo, incentiva a dependência capitalista do agricultor aos insumos biológicos, conservando o modelo econômico (e conseqüentemente social) da agricultura convencional. Assim, a agricultura orgânica se encontra em realidade altamente comercializada e dominada pelo capital. Os planificadores corporativos perceberam que é possível ter lucros com a agricultura orgânica, mantendo os agricultores dependentes de seus insumos biológicos, geralmente muito mais caros. Ainda é válido comentar que a substituição de insumos não aproveita os efeitos benéficos da integração da biodiversidade vegetal e animal. A substituição pode até reduzir alguns impactos da agricultura ao meio ambiente mas não diminui a vulnerabilidade fundamental do monocultivo. Além disso, a substituição de insumos mais daninhos pelos menos daninhos, mas mais caros, aumenta os custos de produção e não resolve a crise econômica que enfrentam os agricultores de todo mundo. Uma conversão de um sistema de manejo convencional a um manejo orgânico se inicia com a pesquisa comparativa entre os dois sistemas para determinada cultura. Estruturado o pacote tecnológico obtido na pesquisa, geralmente a conversão inclui as seguintes etapas: - Eliminação progressiva de insumos químicos; Por outro lado, a agroecologia proporciona os princípios ecológicos básicos para estudar, desenhar e administrar agroecossitemas alternativos que não só afetam os aspectos ecológicos e ambientais mas também os econômicos, ecológicos e culturais. Diante da crise da agricultura atual, surge como a alternativa mais viável a um novo modelo agrícola sustentável. A agrocologia enfatiza a sustentabilidade econômica e ecológica do agroecossistema através da redução a vulnerabilidade as pragas, doenças e ervas parasitas, uma menor dependência de insumo externo, menor requerimento de capital e maior eficiência no uso da terra, aspectos associados aos policultivos e ao incremento da biodiversidade. Os agricultores que optarem por este sistema dependerão somente das fontes de recursos bióticos e de insumos locais, obtidos na sua propriedade, em detrimento do que ocorre no modelo orgânico. Entretanto, a substituição dos insumos químicos pelo orgânicos tem seu valor numa transição planificada para a agroecologia. O início da conversão de um sistema convencional para o sistema agroecológico passa, necessariamente, pela recuperação do solo que foi esterilizado paulatinamente pelo uso de agroquímicos e um complexo de inimigos naturais devastados pelos defensivos agrícolas. É necessário tempo para restaurar a vida do solo, sua estrutura e matéria orgânica, assim como recuperar a fauna benéfica. Neste período de conversão, os insumos substitutos como os bioinseticidas e os biofertilizantes são indispensáveis. Mas a meta será sempre ir reduzindo o seu uso e, portanto, a dependência dos agricultores de insumos custosos, na medida em que o sistema agroecológico vá adquirindo a capacidade de automanutenção de suas necessidades de fertilidade, manejo de pragas e de doenças.
* Pesquisadora Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. Cruz das Almas, Bahia, Brasil. C.P. 007, CEP 44380-000. barbosa@cnpmf.embrapa.br
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