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Culinária Goiana
Autora: Centro de Tradições de Porangatu - GO
Publicado em 01/12/04
O Pequi
O
Pequi, árvore da família das cariocáceas (Caryocar
brasiliense) é o símbolo máximo da goianidade, embora
seja encontrada também nos Estados de Rondônia (ao leste),
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul (no nordeste), Minas Gerais (norte e oeste),
Pará (sudoeste), Tocantins, Maranhão (extremo sul), Piauí
(extremo sul), Bahia (oeste) e Distrito de Federal.
Embora seja encontrado em todos esses lugares, é apenas em Goiás
que existem todas as espécies, as quais frutificam, no seu conjunto,
de setembro a fevereiro. Mas dada a sua extrema importância para
a grande maioria dos goianos, ele é conservado tanto em essência
quanto em conserva.
Sua história de amor com a culinária goiana começou
a séculos, nas antigas vilas de Meia Ponte (hoje Pirenópolis),
e Vila Boa (Cidade de Goiás), ainda no início do século
XVIII. Entretanto, no rico sul goiano, mais especificamente na região
que cerca a cidade industrial de Catalão, era este utilizado tão
somente para a fabricação do lendário Sabão
de Pequi, de reconhecidas propriedades terapêuticas, uma vez que
a região era influenciada pelos triangulinos - povo de origem paulista-goiana
cujo território foi anexado por Minas Gerais no século XIX,
e que luta desde então pela sua independência deste Estado.
Atualmente é a fruta utilizada das mais variadas formas: cozido,
no arroz, no frango, com macarrão, com peixe, com carnes das mais
variadas, no leite, e na forma de um dos mais afamados liquores de Goiás,
ao lado do saborosíssimo liquor de Jenipapo; seu grande atrativo,
além do sabor, são os cristais que forma na garrafa, que
dizem, são afrodisíacos.
Comer pequi além de saudável e agradável, é
uma ciência, quase uma arte: a polpa macia e saborosa deve ser comida
com cuidado, uma vez que esta cobre uma camada e terríveis espinhos,
que, se mordidos fincam-se sem piedade na língua e no céu
da boca, provocando dores irritantes e levando o infeliz ao hospital.
O sabor vale porém, o risco; além disso, com o tempo, qualquer
um domina a técnica.
Alguma dicas de como se comer o pequi:
Ele deve ser comido apenas com as mãos, jamais com talheres.
Ele deve ser levado a boca para entãoo ser "raspado "
cuidadosamente com os dentes, até que a parte amarela comece a
ficar esbranquiçada, ou os espinhos possam ser vistos.
Nunca jogue os caroços no chão: eles secam rápido
e os espinhos podem se soltar. A propósito, a castanha dentro do
caroço é uma delícia; para comê-la, basta deixar
os caroços secarem por uns dois dias e depois torrá-los.
Importantíssimo: jamais, sob quaisquer circunstâncias morda
o caroço.
O pequi também ameniza o tratamento de câncer
Pesquisadores da UnB mostram que fruto ameniza ação
degenerativa de drogas do tratamento da doença
Há quem não goste, mas quem não dispensa o pequi,
um dos mais tradicionais ingredientes da culinária goiana, tem
agora mais motivos ainda para consumi-lo. O fruto típico do Cerrado
tem propriedades que o indicam como coadjuvante eficiente no tratamento
de câncer e, ainda, para o retardamento da velhice. Os dados foram
levantados em pesquisa coordenada pelo professor César Koppe Grisólia,
do Laboratório de Genética do Instituto de Ciências
Biológicas da Universidade de Brasília (UnB).
A pesquisa concluiu que o pequi é capaz de proteger as células
dos efeitos colaterais das drogas usadas no tratamento de câncer,
que costumam ser muito violentos. Os testes realizados em camundongos
submetidos a uma combinação de substâncias como ciclofosfamida
e blomicina, usadas no tratamento de pacientes com câncer, revelaram
que o pequi exerceu efeito protetor contra os danos causados às
células pela combinação das drogas. Verificamos
que o pequi amenizou a ação degenerativa das substâncias,
informou Grisólia, que ministrou o extrato do fruto uma vez ao
dia às cobaias.
A idéia de investigar as propriedades do pequi veio com a descoberta
de que ele era rico em vitaminas A, C e E. Outro benefício do consumo
do fruto detectado pelos pesquisadores é que ele retarda a ação
dos chamados radicais livres, moléculas que se formam no organismo
humano e provocam reação danosa às células.
Essas substâncias podem levar à formação de
tumores, ao surgimento de doenças cardiovasculares e ao envelhecimento.
Grisólia afirma que essa pesquisa é a primeira de uma série
que ainda está por vir. Ainda não foram feitos estudos
em humanos e não sabemos qual o índice da proteção,
explica o professor. Ele salienta que o maior mérito da pesquisa
é chamar a atenção para a necessidade de preservação
do Cerrado, que está sendo destruído pela expansão
da fronteira agrícola e, no caso do pequi, para o aproveitamento
de sua madeira pela indústria carvoeira. O pequi em pé
é mais importante do que transformado em carvão, ressalta
Grisólia. O professor diz ainda que é provável que
outras frutos do Cerrado, de cor amarela e também ricos em caroteno,
tenham o mesmo potencial.
Receitas
ARROZ COM PEQUI
INGREDIENTES:
1/4 de xícara de chá de óleo ou banha de porco
1/2 litro de pequi lavado
2 dentes de alho espremidos
1 cebola grande picada
2 xícaras de chá de arroz
4 xícaras de chá de água quente
Sal a gosto
Pimenta-de-cheiro ou Malagueta a gosto
Salsinha, cebolinha picada a gosto
MODO DE PREPARO:
Coloque o pequi no óleo ou gordura fria (se usar o fruto inteiro,
não é preciso cortar, mas cuidado com o caroço).
Acrescente o alho e a cebola e deixe refogar em fogo baixo, mexendo sempre
com uma colher de pau para não grudar na panela, e respingue um
pouco de água quando for necessário. Quando o pequi já
estiver macio e a água secado, acrescente o arroz e deixe fritar
um pouco. Junte a água e o sal. Quando o arroz estiver quase pronto,
coloque a pimenta-de-cheiro ou malagueta a gosto. Na hora de servir, polvilhe
o arroz com salsa e cebolinha e um pouco de pimenta.
Nota:
Para esta receita, não utilize panela de ferro, pois a fruta fica
preta.
Curiosidade:
O pequi (Caryocar brasiliensis) é uma árvore de baixo porte
nativa do cerrado. O fruto, substancial e gorduroso, é utilizado
tradicionalmente na culinária do Centro-Oeste em pratos como arroz
com pequi e frango com pequi. Da polpa, extrai-se um óleo empregado
para frituras, como condimento e na fabricação do licor.
Rendimento : 6 porções
FRANGO COM PEQUI
INGREDIENTES:
1 frango caipira cortado em pedaços
1 colher de café de açafrão
1 dente de alho
1 dúzia e 1/2 de pequis sem casca
1 cebola média em rodelas
Coentro picado
Sal
Acompanhamento:
6 espigas de milho debulhadas
1 cebola média em rodelas
Coentro picado
Pimenta calabresa a gosto
Pimenta-do-reino a gosto
MODO DE PREPARO:
Tempere os pedaços do frango com sal e pimenta-do-reino, horas
antes de iniciar a receita. Deixe na geladeira até pegar gosto.
Numa panela grande, coloque um pouco de óleo, um dente de alho
amassado e o açafrão. Dissolva-os. Acrescente os pedados
do frango. Mexa até dourar.
Em outra panela, refogue o milho. Despeje um pouco de água quente
e abafe. Coloque sal, pimenta-do-reino e pimenta calabresa a gosto. Por
último, a cebola em rodelas e o coentro picado. Desligue a panela
do milho.
Quando o frango estiver dourado, coloque os pequis. Não mexa muito
para que os frutos não endureçam. Depois, cubra o frango
com água quente para que termine o cozimento. Quando a água
secar, despeje a cebola em rodelas e o coentro picado.
Cuidado!
Se você morder o caroço, ficará com a boca cheia de
espinhos. O jeito certo de comer o pequi é roendo.
Pamonha também é comida típica goiana
Outra comida tipica goiana é a pamonha . Pode ser feita de várioos
sabores, mas os principais são de sal, de doce e a moda. E vamos
falar sério, nada mais gostoso que a pamonha goiana.
Pamonha doce
Ingredientes:
12 espigas de milho verde;
1 xícara (chá) de açúcar;
1 xícara (chá) de leite.
Modo de Preparo:
Descasque o milho, selecionando as palhas melhores para embrulhar as pamonhas.
Rale as espigas e bata no liqüidificador, junto com o açúcar
e o leite, colocando a massa nas palhas de milho selecionadas. Cozinhe-as
em água fervente por 1 hora, escorrendo em seguida. Sirva morna
ou fria.
Amarrar as palhas em forma de copinhos para que a massa fique lá
dentro. Elas também podem ser costuradas ou pode-se usar ligas/borrachinas
usados em dinheiro.
PAMONHA SALGADA
Ingredientes:
- 10 espigas de milho não muito verde
- 1 xícara de leite de coco
- sal, pimenta e cuminho, a gosto
Recheio:
- 2 peitos de frango com osso
- 10 fatias de bacon picadas
- 2 tomates grandes
- 3 cebolas médias
- 100 mililitros de azeite
Vamos ao preparo?
Com uma faca, tire o milho cru das espigas e bata no liqüidificador
com o leite de coco. Passe na peneira para retirar as cascas, que são
dispensadas. Tempere com sal, pimenta do reino e cuminho. Separe.
Para o recheio, corte o bacon em pedaços. O peito de frango já
deve ser previamente cozido com o osso, água, sal, cebola. Depois
é só desfiar, misturar com o bacon picado, e refogar no
azeite, com um pouco de cheiro verde e tomate. Misture esse recheio com
a massa do milho.
Para montar as pamonhas, use as palhas previamente aferventadas e faça
uma espécie de saquinho. Preencha só até a metade.
Com outra, feche por cima e amarre com uma tira. Numa panela, com água
fervendo, coloque os saquinhos. Deixe cozinhar por 20 minutos e pronto!
Você pode servir dentro dos saquinhos ou retirar e cortar em pedaços.
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