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Voz do Cerrado
A INSUSTENTABILIDADE DA “SUSTENTABILIDADE”

Carlos Perez *
e-mail:vozdocerrado.carlosperez@hotmail.com
http://vozdocerradocarlosperez.blogspot.com
Publicado em 20/05/09


Em nome da “produtividade”, “sustentabilidade” e outras “desculpas”, os setores do agronegócio, infra-estrutura – e só Deus sabe até onde vai esse “Poder” - querem rasgar o pouco que restou da legislação ambiental brasileira, e avançar "produtivamente" no pouco que ainda resta de nossas florestas, recursos hídricos, cerrado, flora, fauna, qualidade de vida no planeta, enfim.

Do Palácio do Planalto, Senado, Câmara dos Deputados, Governos Estaduais, Assembléias Legislativas, Entidades de classe ruralistas (espero que alguma escape), Prefeituras, às Câmaras de Vereadores, enfim, estão ironicamente, "em nome do povo", legalizando a destruição, a degradação, com toda soberba e arrogância possível, de nossos biomas e consequentemente a qualidade de vida das gerações presente e futura de  nosso país.

Infelizmente na "Carta de Uberaba" produzida, ou melhor, já pronta, no Fórum Ambiental (virou moda dizer “ambiental”) pelo Sindicato Rural, “nossos representantes”, Deputado Federal Marcos Montes, Paulo Piau, juntamente com o Ministro da Agricultura, endossaram esse documento absurdo, que em nada reflete o que "Uberaba", Minas, Brasil, pensa realmente, mas apenas o que um setor quer, a todo custo, impor.

Em âmbito nacional, “já aprovada na Câmara, encontra-se agora em discussão no Senado a MP 452 que, apesar de originalmente tratar da regulamentação do Fundo Soberano, leva de “carona” uma emenda feita pelo relator, deputado José Guimarães (PT-CE), que acaba com a obrigatoriedade de concessão de licença ambiental para as obras a serem realizadas em rodovias federais já existentes”. Pasmem. Como observa o colunista da “Carta Maior” Maurício Thuswohl.

As obras do PAC do governo Lula são maioria nos pedidos desse licenciamento, que agora poderão continuar sem essa autorização. É um “desenvolvimento” a qualquer custo que está sendo imposto a toda uma nação, tal qual a transposição do Rio São Francisco, que não respeitou os trâmites de discussão e aprovação nos Comitês de Bacia, feito de forma arbitrária e autoritária, incompatível com um regime democrático.

“De um lado, Kátia Abreu (DEM-TO), que é presidente da Confederação Nacional de Agricultura (CNA) e tem se destacado como a maior liderança política dos ruralistas nesses seis anos e meio de governo Lula. Do outro, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PT-AC), que tem enorme prestígio internacional e é a principal porta-voz política do movimento sócio-ambientalista brasileiro.
Em discurso realizado na tribuna do Senado na semana passada, Marina afirmou que “segmentos do agronegócio e da infra-estrutura se revezam em um jogral de satanização das conquistas ambientais que a sociedade brasileira conseguiu inscrever no arcabouço legal de nosso país”. Segundo a ex-ministra, estes setores “agora estão imbuídos em convencer a sociedade brasileira de que a legislação que protege o que restou da floresta, que protege a nossa biodiversidade e as margens dos rios é a maior inimiga para o crescimento e expansão da agricultura no país”. Destaca, ainda, o colunista da “Carta Maior”.

A pior ditadura é aquela maquiada de “democracia”, “sustentabilidade”, infiltrada nas cúpulas do poder da economia, política, imprensa, e outros setores, manipulando a sociedade como marionete.  



Carlos Perez - Ambientalista, Músico, Escritor, Produtor Cultural e Publicitário.