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Na cidade de Uberlândia, no Triângulo, que ainda é parte integrante de Minas Gerais, muita gente luta pra ver qual umbigo aparece mais. A disposição de pais, estes membros da classe média com poder aquisitivo, em envolver a justiça para garantir aos seus filhos a COTA devida no PAAES DA Universidade Federal de Uberlândia é de provocar reflexão. Então, fica entendido o seguinte: para esse filho "bem nascido", cujo custo mensal gira pelos R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais) – Vale a COTA. Usar essas mesmas armas para ajuizar a execução de políticas públicas urgentes, não pode. Então, fica entendido também o seguinte: gente pobre e preta na Universidade nem pensar. Mérito. Só o dos que podem pagar. Assim é. Um aluno de escola pública vai fazer a mesma prova, com o mesmo teto de nota de corte que qualquer figura treinada para passar no vestibular. Não há privilégio nisso. A situação só se torna diferencial porque os oriundos da escola pública vão competir entre eles mesmos. Para o bem treinado isso é realmente ruim, pois estes terão que competir entre os melhores, pois são preparados para isso. Entendeu?... Muitas dessas liminares que pipocam na justiça poderiam vir a exigir que o poder público assuma em definitivo um plano real de melhoria do ensino de base. E que prefeituras de cidades com mais de 200.000 habitantes fossem obrigadas a ter sua Universidade Municipal a exemplo de São Caetano do Sul em São Paulo, entre outras cidades. É cômodo tirar de quem não tem como brigar. É fácil vender a idéia da capacidade e do mérito quando o que se tem é apenas a inteligência. Porque não fazer uma marcha de pais e alunos pela educação? Porque não exigir desses mesmos alunos bem treinados que dediquem um tempo à escola pública – isso já vem sendo feito em São Paulo num projeto do jornalista Gilberto Dimenstein. Porque os professores não se envolvem nessa discussão, uma vez que são eles o "coach" tanto dos alunos dos Cursinhos particulares quanto dos alunos das escolas públicas? Não existem culpados. Existe é uma histeria em se nivelar por baixo essa situação que merece ser resolvida. Um país só se desenvolve quando a educação recebe investimentos acima de seus projetos urgentes. É chato dizer, por ser repetitivo, mas China, Índia, Coréia do Sul e Cingapura, já mostraram que isso é real. E nesses países foi o povo quem delineou a que tipo de acesso lhes seria viável contribuir para o desenvolvimento de seu país. Um filho seu ou um filha dela devem ter as mesmas condições de combate. O PAAES não tira vaga de ninguém. Observe. É preciso pensar a sociedade como um todo. Hoje quantos profissionais são mal formados porque foram apenas treinados para conseguirem o diploma? Erros médicos e falta de ética pipocam nos Conselhos Regionais e na Ordem de várias classes. Não se pode questionar o direito a opinião e a defesa de idéias, mas é legitimo exigir que cada cidadão perceba o seu papel na discussão e sua responsabilidade na questão.
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