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Uberaba, sexta-feira, 19 de maio de 2006 Hoje, entre 18:30 e 19:00, fui assaltada, pela primeira vez na minha vida. Eu estava junto com meu namorado, José*, andando na Avenida Guilherme Ferreira, uma das mais movimentadas de Uberaba, quando fomos abordados por um jovem. Ele era moreno e andava empurrando uma bicicleta. Ele pediu dinheiro. Dei-lhe uma moeda. O ciclista retrocedeu e fez que ia embora, quando parou olhando pra gente, e recomeçou a andar em nossa direção. Perguntou então do celular que estava no bolso da calça de José (dava pra ver que havia um celular ali pelo volume que ele fazia). Perguntou algo sobre o modelo, mas José não sabia qual era. Então o jovem simplesmente pediu o celular a ele. José não quis dar, claro. O ciclista então apertou a própria camiseta contra o corpo, na altura da cintura, mostrando que provavelmente havia uma arma ali. Disse: "Isto aqui é um 'ferro'. Você quer sentir o gosto do 'ferro'? Então me passa o celular". Entregue o celular, o jovem subiu em sua bicicleta e foi embora calmamente. Decidimos não dar queixa à polícia. José acredita que não fará muita diferença. Eu acho que seremos mais um número em uma estatística. A cidade de Uberaba está vivendo uma crise de assaltos há algum tempo. Convivendo com alunos da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), sendo eu mesma e José alunos de lá, e ainda convivendo com alunos da Universidade de Uberaba (Uniube), ouvimos diariamente comentários sobre assaltos. A história quase sempre se repete: jovens, de bicicletas, geralmente sozinhos, em duplas ou em trios. O roubo não tem horário definido para ocorrer, havendo ataques inclusive durante o dia. Dentre os inúmeros casos, ainda vale ressaltar que a maioria dos assaltos começa quando o assaltante pede dinheiro, mesmo que este lhe seja dado (como foi o meu caso). Infelizmente, nenhum dos vários assaltos em que ouvi falar houve uma ocorrência policial. As pessoas pensam como José, acreditam que não fará diferença escrever um boletim de ocorrência. Como resultado, os números de roubos realizados é muito subestimado, e a crise que ocorre no momento não é devidamente divulgada. O que se nota é o fato de que a falta de segurança já começa a assustar os moradores. O movimento das ruas visivelmente diminuiu nos últimos meses, principalmente durante a noite. As pessoas já evitam sair de casa desacompanhadas. Para piorar o quadro, Uberaba está sendo palco da Intermed, um evento esportivo-social que atrai alunos, principalmente do curso de medicina, de outras cidades. Com esta "epidemia" de assaltos, e muitos comentários sobre este assunto circulando entre os próprios alunos, a nossa cidade vai sair perdendo.
Lívia
* Nome falso usado para proteger a identidade. "José"
tem 19 anos.
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