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Sua Opinião
CONSUMIDOR: PLANEJE SEU ORÇAMENTO!:
*Sérgio Peralva
Publicado em:22/05/06 |
A lógica de se gastar somente dentro do orçamento disponível
era pra ser uma constante e deveria ser seguida à risca pelos
brasileiros, mas, na prática, observamos exatamente o contrário,
pois muitos gastam mais do que ganham, originando dívidas que
se tornam impagáveis se não forem contidas a tempo.
São muitas as razões que fazem com que o consumidor ultrapasse
sua renda doméstica, mas entre as principais podemos citar o
incitamento sistemático da publicidade ao consumo exacerbado,
induzindo-o a adquirir determinado produto em "suaves" prestações,
mal sabendo que está pagando cada centavo dos juros embutidos
nas parcelas.
Outro fator de consumo exagerado é a necessidade que algumas
pessoas têm de querer se apresentar pra sociedade como indivíduos
bem sucedidos, propalando aos quatro ventos a nova casa, o novo carro,
a TV de plasma, que fará companhia às outras 5 ou 6 da
casa, não tão valiosas assim, a viagem de 30 dias à
Europa, a bolsa LOUIS VITTON de oito mil reais que sairá raríssimas
vezes do armário e outros bens que trazem um sentimento de status
ao seu orgulhoso e, muitas vezes, endividado dono, mas que no dia-a-dia
talvez nem lhe sejam assim tão úteis.
Com o tempo, a bolinha de neve começa a descer o morro, numa
velocidade e volume cada vez maiores, para desespero de quem a jogou
lá de cima da montanha.
No início, o consumidor voraz acredita que a dificuldade financeira
por que passa é algo de fácil solução e
finge que não está à beira de ficar seriamente
enrolado, não diminuindo suas aquisições.
Quando a "ficha começa a cair", inicia-se a fase de
desespero, não porque vai ter que reduzir ou cortar suas compras
e lazer, mas sim pelo verdadeiro temor que sente só de imaginar
que seus pares ficarão sabendo que está à beira
da bancarrota.
Quando não tem mais como "manter as aparências"
e as dívidas começam a se multiplicar, finalmente põe
os pés no chão, esquece do que os outros vão falar
e decide sanear as despesas. Nesse ponto, pode ser que não tenha
mais solução, a não ser desfazer de algum bem (lembra
da bolsa e da TV de plasma?) ou partir pra humilhante renegociação
da dívida junto aos credores.
O que foi escrito nesse artigo é algo tão óbvio
que pode acontecer de me taxarem de ingênuo, mas, se observarem,
verão que são situações cada vez mais corriqueiras
em nossa sociedade consumista, que se acha na obrigação
de comprar tudo o que lhe é ofertado, sob risco de ficar às
margens da sociedade, em que ter o melhor PC, celular, tênis,
carro ou apartamento passou a ser algo imprescindível à
sua sobrevivência e aceitação na sociedade.
*Aluno do 3º período de Comunicação Social
com habilitação em Jornalismo da FACULDADE ESTÁCIO
DE SÁ 0E JUIZ DE FORA.
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