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Sua Opinião
NÃO
É "POBREMA" MEU
Luciano Pires
www.lucianopires.com.br
luciano@lucianopires.com.br
Publicado em 28/04/06
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Dias atrás foi inaugurado o Museu da Língua Portuguesa,
nas instalações da Estação da Luz, em São
Paulo. Imagine só, um museu dedicado à língua portuguesa...
Nossa língua é um patrimônio que a sociedade materialista
trata com descaso, pois não tem valor aparente. Qualquer um fala.
Não dá pra vender. Não dá pra alugar. Nem
dá pra emprestar. E nem é preciso dar muita atenção
a ela, pois mesmo falando errado nos fazemos compreender.
Não entendeu? "O pobrema" é seu. O ministro
fala errado? Não é "pobrema" meu...
Será que nossa língua merecia um museu? E logo aqui no
Brasil, onde coisas importantes são deixadas de lado?
A resposta me parece óbvia: merece e merecia muito antes...
Qualquer investimento focado em educação e cultura é
primordial para este país de brucutus, que só consegue
investir naquilo que enxerga. Ou que traz resultados imediatos. Mas...
Será que o povo merece? Tenho minhas dúvidas.
Acho que, para ter valor, um museu que trata do idioma só tem
sentido num país onde o povo tenha um mínimo de educação
para entender e respeitar o que está visitando. Coisa que a maioria
dos brasileiros não tem. E nessa maioria incluo gente com formação,
gente rica, gente pobre, brancos, negros, amarelos, homens, mulheres,
gays, heteros e tudo o que você quiser citar. A ignorância
não é privilégio de um grupo. Está disseminada
por toda a sociedade, com variações de grau. Mas presente.
Pois bem.
Estou indignado. Acabo de ler que o Museu da Língua Portuguesa
foi fechado para manutenção, poucos dias após a
inauguração. Puxa, será que estourou um cano d´água?
Rachou o gesso do teto? Uma pane elétrica? Não.
A manutenção é para consertar o estrago que os
visitantes fizeram, pisando onde não deviam. Arrancando partes
de algumas obras. Sujando outras...
A manutenção se dá em razão do desleixo.
Ou será da depredação?
E então? Será que as pessoas que visitam o museu, merecem
o museu? Ah, mas quem depreda é uma minoria, dirão os
mais apressados. É verdade... Mas e a maioria que vê a
minoria depredando e se finge de morta?
- Não é "pobrema" meu!
Essa é a verdade de nossos dias: perdemos a capacidade de indignação.
Ou de expressar nossa indignação. O sujeito fura a fila
e eu fico quieto. O outro quebra o orelhão e eu fico quieto.
Não é "pobrema" meu... E se eu falar alguma
coisa sou capaz de ser vaiado pela maioria dos que preferem não
se manifestar. Vão me chamar de estressado, de neurastênico...
E se bobear ainda tomo um tiro do vagabundo.
Pois é...
E se fico quieto com as pequenas coisas que me atingem diretamente,
você acha que vou gritar por causa de um deputado desonesto? Contra
a fila de aposentados? Contra a baixaria na televisão?
Eu não. Não é "pobrema" meu...
Pois assim que reabrir, vou visitar o museu.
Quero ver se tem lá a palavra "burro".
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