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A partir do próximo mês, a Telemar começa a mudar a tarifação das contas telefônicas. Em Pernambuco, a previsão oficial é de que a novidade tenha início em março e, até 31 de julho, 97% dos telefones da operadora deixem de registrar pulsos para contabilizar minutos de ligação. A conversão para minutos beneficia diretamente quem faz ligações curtas (de até três minutos) enquanto, por outro lado, triplica o custo de quem acessa internet por linha discada, ou seja, todas aquelas pessoas que ainda não migraram para um plano de banda larga. A mudança de tarifação tem sido discutida desde o ano passado. As idéias iniciais eram de diminuir o custo da assinatura fixa, que hoje custa R$ 40, e diminuir o encargo financeiro das pessoas que usam telefone. Meses de debates entre as operadoras telefônicas e a Anatel levaram a uma resolução padronizada para todo o País: as ligações precisam ser cobradas por minutos, não mais por pulsos telefônicos. Cada pulso, hoje, representa quatro minutos de conversa. A assinatura mensal permanece a mesma. Segundo a coordenadora do Departamento de Relações Institucionais da Pro Teste, Maria Inês Dolci, a mudança irá baratear as ligações de até três minutos e o consumidor terá uma taxa fixa de 200 minutos mensais que, se ultrapassada, será paga em tempo real, a chamada minutagem. Para não ter surpresas, as ligações longas devem ser evitadas, adverte. Aí é que mora o perigo: a conexão para internet é uma ligação longa, visto que o telefone fica ocupado enquanto o usuário navega. Em Pernambuco, o minuto da ligação local vai custar R$ 0,09865 (quase dez centavos) enquanto que, hoje, o pulso cobrado a cada quatro minutos custa R$ 0,15388 (pouco mais de 15 centavos). Para a conexão internet, significa que quatro minutos vão custar R$ 0,3946 - quase 40 centavos. Entre março e julho, a Telemar informará aos clientes, por meio da conta telefônica e comunicados públicos, os prazos finais em cada área e detalhes sobre a nova conta telefônica. A lista dos municípios já está publicada no site da empresa. Sem banda larga e de olho no relógio A estudante Rafaela Cavalcanti, 18, tem acesso discado em casa e, para cortar gastos, só navega nos finais de semana. Entro aos sábados e domingos por causa da tarifa reduzida e, quando preciso da internet durante a semana, vou à uma lan house, conta.No caso dela, a mudança tarifária tende a não onerar demais a conta no final do mês, diferentemente do supervisor de atendimento Gabriel Torres e da esposa, que navegam várias horas durante o horário comercial. Vamos ter que diminuir o tempo de conexão ou apertar outras contras da casa, é o jeito. Talvez, até pensar em migrar para um plano de banda larga, revela Torres. A opção de conectar durante a madrugada nos dias de semana, porém, pelos motivos óbvios, trata-se de alternativa impraticável para a maioria de usuários. Segundo um dos analista do Ibope/Netratings, José Calazans, dados coletados pelo instituto em 2005 mostram que o pico de uso da internet residencial no Brasil é das 19h às 21h. A madrugada e o início da manhã, quando a internet continua mais barata, são os horários com menor tempo de uso. Procurada pela Folha sobre a alta nos preços, a Telemar limitou-se a responder que apenas cumpre as regras estipuladas pela Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel. Custo é superior a 100% de diferença A consultoria Direction, especializada em soluções de Tecnologia da Informação, elaborou um estudo específico sobre a nova tarifação das teles. De acordo com o diretor da empresa, Jairo Martins Marques, ligações acima de 1min43s perdem gradualmente a vantagem, até chegar ao limite máximo de 156% mais caras - para ligações de 160 minutos. Marques e Calazans apontam o aumento da procura pelos planos de banda
larga que, a partir de agora, se tornará opção
bem interessante. O usuário paga um valor fixo mensal e navega
por tempo indeterminado, em conexão mais rápida e limpa
do que o acesso discado. O que, de certa forma, também beneficia
as operadoras que disponibilizam planos de internet rápida. |
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