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Seções » Colunas

Psiquiatria
BUSCA DE UM PORQUÊ?
Dr. Daniel Santos Hercos,
membro titular da Associação Brasileira de Psiquiatria
Home Page: www.danielhercos.com.br
e-mail: dasahe@terra.com.br
Publicado em 12/06/06

A pergunta que se faz é quem maneja os cabos de onde balançam os aflitos? A questão da qualidade de vida envolve vários segmentos da sociedade; um misto de tragédia e pantonimia se desenrola aos nossos olhos atônitos. O tempo voa e precisamos preparar um terreno melhor para o futuro, quando o desalento ou a decepção expõe nossos enganos, devemos ter boa vontade e reconhecer, é necessário construir! Amadurecer em nossos erros! Seguir o espiral continuado em que se propõe nossa existência intelectiva. É tão mais fácil bancar a vítima do universo, que faz mil armações para nos ferrar; dos outros que querem nos prejudicar, e assim por diante...

Estar preso defendendo teses patéticas; não dá oportunidade de rever mitos e adquirir lucidez e coragem. É hora de agir!

Nossas dores de agora podem ser as mesmas do crescimento de amanhã.

A honradez implacável da busca pela melhora social é uma revolução que se exterioriza do íntimo de cada um e faz a descência coletiva.

Angustia-me a negligência; da qual não sei se escapo, desta questão grave que para alguns nunca chega a ser um drama, mas que é tão fatal quanto balas perdidas ou tiros intencionais: a exclusão do outro no naufrágio dos nossos sentimentos temerários, onde reina a idéia da contaminação pela miséria alheia.

A vida seduz, encanta, cria mil disfarces para nossa sobrevivência emocional; fortalecidos em nossos escapes continuamos nossa marcha, quase sempre abandonando aqueles que não conseguem nos seguir, afinal, parece que precisamos fazer a escolha no campo fantástico dos mais férteis sentimentos; que urge nossa defesa interior. Estar aberto ao outro representa um risco: podemos ser invadidos, consumidos ou mesmo sofrermos uma implosão da alma; no temor do irreversível estamos fechados numa paranóia de agregados!
Que bom seria se conseguíssemos lidar com nossa aflição mais íntima, aquela que faz do homem um ser miserável diante de si mesmo.