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Seções » Colunas

Psicologia

PENSE DUAS VEZES ANTES DE CONTAR ATÉ TRÊS
Lisete Resende, Psicóloga Clínica, Vice-presidente do Forum dos Articulistas de Uberaba, Assessora de Imprensa da Casa do Folclore, e Diretora de Projetos e Marketing da Fundação Cultural de Uberaba.
e-mail: liseteresende@hotmail.com
Publicado em 16/06/2006

Tem coisa pior no mundo do que esperar? Deve ter, lógico! Mas esperar por alguma coisa, seja lá boa ou ruim, e ficar vivendo aquela expectativa que inevitavelmente acompanha a espera... é de matar. E o pior é que quando o fato esperado acontece, pode nem ser tão bom quanto se desejava e, claro, nem tão ruim quanto se imaginava e, toda aquela fantasia ou sentimento que invadia o espaço guardado para o momento do acontecimento...fica sem graça, meio que usado em vão.

Hoje até a infância e a adolescência estão aflitas por terminar e um jovem, por volta dos 15 anos, já está se declarando adulto. No que diz respeito a direitos, lógico. Quer decidir sozinho sua vida, sem obedecer ou aceitar normas, passando não a comunicar com os pais mas a comunicar aos pais. Quer contar aos pais que fuma, contar que decidiu sobre uma viagem, uma mudança na escola, ou que decidiu ter experiências sexuais...Experimentam sem o amadurecimento psíquico necessário, o sonhado mundo do futuro. Aguardar a sua vez, ou esperar pelo momento certo... nem pensar.

Algumas esperas são realmente mais insuportáveis e produzem mais ansiedade que outras. Imaginem quando sai a lista de demitidos de uma empresa, quando uma amiga diz que vai contar um segredo ou quando, num relacionamento, o parceiro vem com aquela "precisamos ter uma conversa"... é terrível. Nesses momentos a vontade é de passar a máquina do tempo para depois de amanhã evitando, assim, sentir aquele frio na barriga, os minutos de desorientação ou vulnerabilidade que a expectativa provoca.

Esperar não é mesmo uma das coisas mais agradáveis da vida e foi, por isso, transformada em falta de educação, falta de consideração e até em incompetência. Fazer alguém esperar então, é, no mínimo, desrespeito. A pontualidade está muito mais na moda, ultra valorizada, carregando com ela, infelizmente, algumas reações nem tão bonitas assim como a intolerância e o imediatismo.

O imediatismo tem se tornado um acessório de última geração, cada vez mais valorizado. Tudo que envolve algum tipo de frustração por menor que seja, não tem vingado. Os casamentos, por exemplo. Antes um desacordo, uma incompatibilidade ou briga, tinham permissão para acontecer e ninguém se separava por isso. Hoje, com os casamentos sobrevivendo exclusivamente por razões afetivas, todos estão exigindo felicidade em tempo integral, paz, alegria e amor incondicional. Ninguém que perder tempo esperando as coisas melhorarem, e diante de qualquer contrariedade, discussões ou dor de cabeça... rua!

Ser menos imediatista ou mais capaz de adiar gratificações, parece coisa de monge budista, ou, segundo algumas correntes, um dom. Colleman "o pai" da inteligência emocional usava um teste simples (a criança deveria escolher entre comer um mashmallow na hora, ou dois, algumas horas depois), para verificar o nível dessa inteligência. Quem conseguia adiar a obtenção do prazer instantâneo obtinha melhores resultados.

Porém, os imediatista preferem satisfação imediata ou pensam que "mais vale um pássaro na mão do que dois voando..."e devem, lógico, tirar zero no teste.

Entre o imediatismo anti inteligente e uma espera que pode significar até a perda de alguma boa oportunidade, de um paquera ou de uma promoção, escolha, como Buda, o caminho do meio. Conte até três, medite, pense duas vezes antes de agir. Se pressentir que tem algo a perder... corra! E rápido! Alguém pode ter pensado nisso antes de você.