|
Seções » Colunas
 |
Psicologia
PARAÍSO É UMA QUESTÃO
PESSOAL
Lisete Resende, Psicóloga Clínica, Vice-presidente
do Forum dos Articulistas de Uberaba, Assessora de Imprensa da Casa
do Folclore, e Diretora de Projetos e Marketing da Fundação
Cultural de Uberaba.
e-mail: liseteresende@hotmail.com
Publicado em 25/09/2006 |
Após a conclusão do projeto Homem e do comando para imprimir,
o Criador, não muito satisfeito com alguns erros cometidos, resolveu
reiniciar a moldagem. Usando um pouco mais de detalhes e recursos se
dispôs a fazer um ser perfeito. E foi assim que, num momento de
intenso capricho, criou então a mulher.
Apresentando como diferença alguns balangandãs a menos,
algumas curvas a mais, o modelo feminino deixou boquiaberto Adão
que imediatamente experimentou um fogo queimando nas profundezas do
seu corpo. Foi assim que entendeu o que o criador quis dizer sobre o
céu ficar para cima e o inferno para baixo.
Eva nasceu com fome e convenceu o indeciso Adão a ir comprar-lhe
uma maçã. O Criador, assistindo tudo em seu circuito interno
de TV, ficou feliz em perceber a coragem da mulher para tomar decisões.
Confiando nela e em sua determinação, liberou-os do cativeiro
dando-lhes de presente o mundo. "Chega de tédio", disse-lhes
o Criador. E foi assim que, em pouco tempo, fascinados pela novidade,
os dois povoaram a Terra.
Milhões de anos após sua criação, homens
e mulheres ainda discutiam o mérito pela descoberta do prazer.
Ela ofereceu a maçã mas foi ele quem comeu com cobra e
tudo, ela jogou as tranças mas foi ele quem escalou a muralha,
ela foi a Cinderela mas foi ele quem correu atrás do pé
dela. Para chegar a um consenso definiram prazer como- sensação
inerente à pessoa independente de estímulos externo- e
propuseram um acordo: - aquele que conseguisse passar uma vida inteira
fiel a um só parceiro, seria o vencedor. E foi aí que
o homem aprendeu a rir.
O sexo feminino, fidelíssimo em sua arrasadora maioria, venceu
a tão disputada contenda e foi por isso coroada símbolo
do prazer. Durante muito tempo elas usariam esse símbolo para
obter um outro - uma argola ou anel na mão esquerda e um sobrenome.
Até que uma gang de "Betty Friedan", alegando o fator-
desvalorização- romperam esse acordo, unificaram o mercado
paralelo com o oficial, mudando o slogan de "nós somos o
prazer" para, "nós queremos prazer". E foi assim
que a mulher começou a trabalhar.
Em pé de igualdade no poder de comando, as antes prazerosas e
atraentes mulheres, tornaram-se criteriosas na escolha de seus parceiros
que precisavam agora, além de ricos, bonitos e charmosos, serem
sinceros, fiéis e românticos. Ou seja, todas aquelas coisas
impossíveis e incompatíveis de existir num único
ser humano. Passaram a se casar com os do primeiro grupo, com os tais
ricos, bonitos... E foi assim que surgiu o divórcio.
Entre o fogo do inferno e o tédio do paraíso, finalmente,
as mulheres descobriram que mais valia um feio sincero na mão
do que um rico infiel voando. Entretanto, muitos homens optavam pela
estabilidade doméstica elegendo como sua maior qualidade... ser
fiel, como menor qualidade... ser fiel e, como grande argumento... eu
sou fiel. Criatividade, prazer, sedução ...nem pensar.
E foi assim que elas entenderam o que era o purgatório.
Enfim, as mulheres se viram às voltas novamente... com o tédio.
O mesmo lá do paraíso. Paraíso agora sem pés
de maçãs ou serpentes, sem data agendada para o retorno
do Criador, com o mundo já povoado e com o Adão muito
mais ligado no Romário do que em Eva. Tentaram mandar um e-mail
cobrando do céu uma providência mas se lembraram daquela
parte: "..criou o homem à Sua imagem e semelhança
...". E foi assim que as mulheres aprenderam a reclamar.
|