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Psicologia
OH SUZANE NÃO CHORE POR MIM...
Lisete Resende, Psicóloga Clínica, Vice-presidente
do Forum dos Articulistas de Uberaba, Assessora de Imprensa da Casa
do Folclore, e Diretora de Projetos e Marketing da Fundação
Cultural de Uberaba.
e-mail: liseteresende@hotmail.com
Publicado em 13/04/2006 |
No ar, de volta a nova vedete da TV, que despertou curiosidade, horror
e até (pasmem!) simpatia no povo brasileiro ao assassinar, covardemente,
e "por amor", seus próprio pais. A cena mostrada, e
re-mostrada na TV tão horripilante quanto real, veio dar um nó
na garganta e na cabeça de muitos pais. Quem são esses
filhos que estão lá sua casa, esses que você está
alimentando e protegendo? Que tipo de alma está habitando cada
um desses adorados garotos? É esperar crescer para ver. Ou, como
foi o caso dos pais de Suzane, não ver. Joguem o manual fora
porque agora a coisa mudou de figura.
A ilusão de muitos pais de que as drogas e as más companhias
arrasam com a educação que deram ao filho, ou seja, colocar
a culpa total em algo FORA do filho, além de impossibilitar a
intervenção -já que para isso seria preciso educar
todos os traficantes e malucos-, isenta o filho, o ambiente doméstico
e a relação pais-filhos tanto de culpa quanto de solução.
Para afirmar que o lado de fora é o único culpado seria
preciso afirmar que todos os filhos que convivem com o mundo externo
teriam o mesmo destino, sem haver os filhos que se safam, os que não
se deixam enganar, os que dão certo.
Os amigos dos filhos são muito mais importantes do que qualquer
membro da família numa determinada idade, quando precisam ser
parte de um grupo, se identificarem, irem se "escorando" uns
nos outros para poderem crescer. Os amigos representam partes desconjuntadas
de um quebra cabeça emocional que um dia será organizado.
Como diz aquela frase sempre atual "diga-me com quem andas e direi
quem és", ou seja, que tipo de escolha ele faz, com que
amigos ele se identifica, traz informações valiosas sobre
quem é seu filho.
Um amigo pode ser considerado, de certa forma, o sintoma do filho. Muitas
vezes escolhem um, com comportamentos totalmente estranhos, para poderem
carregar, do lado de fora de si mesmos, uma parte confusa que fica incomodando
dentro da cabeça. É como aquele filho bonzinho que arranja
um amigo doidão para dizer "eis aí uma parte esquisita
de mim; me ajudem a entender". Quando os pais, horrorizados e assustados,
põem o doidão pra fora, estão dizendo que não
aceitam aquela parte do filho, ou seja, que não podem ajudar.
E se o põem para dentro, mas não o enxergam como uma parte
do filho que precisa de cuidados, as conseqüências podem
ser piores. Suzane trouxe o seu sintoma para casa, um namorado marginal,
repugnante, e foi banida por isso. Lá estavam as informações
e os sinais que precisavam para lê-la.
A maioria dos pais ama os filhos apaixonadamente e provam seu amor de
forma materialista, consumista, como se houvesse um contrato:o pai banca
o filho, e o filho vira gente. Claro, às vezes dá certo.
Nem todos matam os pais. Trabalhando para cumprir sua missão,
os pais amam um filho ideal, e infelizmente sobre pouco tempo para conferir,
para observar quem é realmente aquele menino que está
ali virando "gente", aquele que, ao invés de ser no
mínimo normal, pode estar lá fazendo as contas de quanto
dinheiro se compõe uma herança. O ato extremo de Suzane,
quando viso pelo lado do motivo, informa como os filhos podem estar
avaliando os pais a partir de uma equação mórbida,
qual seja, pais significando dinheiro. Qual a responsabilidade de cada
um nessa "moderna" forma de relacionamento, é bom ficar
VIVO para pensar.
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