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Psicologia
QUE SERÁ QUE ME DÁ...
Lisete Resende, Psicóloga Clínica, Vice-presidente
do Forum dos Articulistas de Uberaba, Assessora de Imprensa da Casa
do Folclore, e Diretora de Projetos e Marketing da Fundação
Cultural de Uberaba.
e-mail: liseteresende@hotmail.com
Publicado em 25/08/2006 |
A insegurança tem abalado de forma cruel o ser humano. Parece
até que espalharam por aí que, para ser feliz, é
preciso ser perfeito, conseguir a self ISO 9000, fazendo com que todos
os outros, simples mortais, sintam-se totalmente inadequados e infelizes.
Você já deve ter percebido como nunca se produziu tanto
livros de auto ajuda, manuais informativos sobre comportamentos, ensinando
como ser, sentir, pensar e agir no mundo atual. Alguns dizendo que sabem,
apostando que você não sabe, vendem promessas de sucessos
fazendo com que você, inseguro e cheio de dúvidas... pague
para ver.
De repente não é mais moda "ser você mesmo".
Criaram-se novos modelos de "Como Ser Gente", fazendo com
que aquele seu jeito de fábrica não sirva para nada, sendo
descartado em favor de um modelo tamanho único, padrão.
E você que vinha seguindo suas próprias idéias,
fica logo desconfiado de que pode ter alguma coisa errada com você,
se sentindo o "esquisitão".
Confiar nos próprios critérios às vezes é
mantido até aparecer o primeiro problema ou crítica. Dali
pra frente a auto confiança já era e não dá
mais pra confiar no próprio julgamento, na própria intuição.
O jeito é comprar uma resposta pronta, fazer certo, fazer igual
e é assim que acabam comprando ilusão de solução.
Enquanto a insegurança está apenas interferindo em algumas
atitudes, criando confusão diante da escolha entre agir do próprio
jeito ou agir conforme um padrão, tudo bem. Pode-se dizer que
está fazendo o papel daquele feitiço que vira contra o
feiticeiro ou seja, atingindo apenas o próprio inseguro. Mas
quando se é referência para outras pessoas, como os próprios
filhos por exemplo, os estragos tem se mostrado irreparáveis.
Adotando o modelo midia, a nova geração vem aí
dando verdadeiros "olés", dando banho nos pais. Estão
chegando informatizados, atualizados, cheios de teoria até o
pescoço. Vem buscando referências, modelos e limites e
estão se deparando com pais confusos, que querem fazer certo
tal como nos modelos, navegando com Hamlet num mar de dúvidas.
Nem bem decoram uma resposta e os filhos vem mudando as perguntas. Usar
o amor, a intuição, o bom senso... nem pensar.
Os sofrimentos que toda insegurança provoca poderiam ser um pouco
evitados se houvesse coragem para enfrentar o medo de errar. O medo
de errar, de amar errado, ou simplesmente de se expor errado e ter que
sair aprendendo, consertando é tamanho, que muitos preferem seguir
opiniões industrializadas para ter, parece, com quem dividir
a culpa. Com isso quantas experiências ótimas de interação
são perdidas. Enfrentar a insegurança de ser sujeito a
erros, como todos os humanos, é insuportável para alguns
Você que prefere se um candidato a 'pessoa padrão', jamais
ouse ser bom marido se esquivando de lavar louças, ou tente ser
bom pai dizendo não às extravagância dos filhos
Faz parte do novo código de barras humano ser moderno e participativo.
Se você não se encaixa ainda, leia o manual " Não
aja como um Troglodita" a ser escrito por algum espertinho por
aí.
E o código genético achando que ia fazer o maior sucesso,
teve um trabalhão enorme para dar de presente uma diferença
para cada um, em algum ponto que fosse, hoje deve estar se perguntando
"aonde foi que eu errei...?"
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