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Psicologia
FENÔMENO QUE NÃO SE PODE EXPLICAR
Lisete Resende, Psicóloga Clínica, Vice-presidente
do Forum dos Articulistas de Uberaba, Assessora de Imprensa da Casa
do Folclore, e Diretora de Projetos e Marketing da Fundação
Cultural de Uberaba.
e-mail: liseteresende@hotmail.com
Publicado em 24/04/2006 |
Desde o nascimento, quando o pai vai no cartório e registra
o bebê como sexo feminino, tem-se a certeza de que nasceu mais
um ser doce, meigo e carinhoso na face da terra. Mulher é o símbolo
máximo de suavidade e ternura e, quando lhe interessa, há
maridos que correm o risco de tornarem-se diabéticos, dado o
excesso de mel e doçura com que podem ser agraciados.
Não se enganem todos os que teimam em olhar uma mulher como a
santa Maria, imaginando que há sobra de compreensão nesta
belezura do sexo feminino. Não há. Até quando se
enamora a mulher usa a cabeça no lugar do coração.
Cheia de truques gosta de tudo que o noivo gosta. É sempre companheira
para um chopinho, adora almoçar na casa da sogra, é torcedora
de algum time de futebol, e está sempre fogosa, sensual, passando
aquela idéia de "case comigo e conhecerás o paraíso".
Quando tem o Adão já sob controle esta doce Eva vai, sorrateiramente,
transformando o tão prometido paraíso em sala de aula
, ensinando como não molhar a pia do banheiro, a não deixar
a roupa esparramada pela casa, a não sujar tanta louça,
tratando como criança seu grande amado na expectativa de que
à noite ele cresça e se transforme num homem bem sedutor,
um Dom Juan. Se for contrariada anota tudo no seu temível livrinho
de mágoas com uma memória capaz de humilhar qualquer "pentium"
por aí. Qualquer frustração que enfrente vai parar
lá .
O problema de se frustrar é algo totalmente imprevisível.
Se o marido é ciumento, frustra porque pega muito no pé,
se o marido não tem ciúme, frustra porque não liga
para ela. Se gosta muito de sexo, frustra porque ela quer romance, se
ele é muito romântico, frustra porque não se parece
com o Antonio Bandeiras, caliente. Se nunca lhe dá flores, é
um insensível, se resolve enviá-las, com certeza a está
traindo . Se ele é quem manda, ela obedece com muita raiva, se
ele não manda ela o despreza. E se frustra por tudo que não
se parece com o sonho de príncipe que carrega dentro de si.
A maturidade chega avalizando a mulher a reivindicar todas as realizações
de que se acha no direito, e a outorgar o título de "culpado"
ao marido por todas as suas fantasias não realizadas. Aquela
moça do tempo do noivado, que agora não toma mais chop
porque vive de dieta, odeia futebol, e pode ter um ataque de nervos
quando, depois de um dia de muitas discussões, o marido ainda
ousa se aproximar dela na cama. O livrinho de mágoas, agora do
tamanho da bíblia, recita sempre que dá uma folga. Tudo
decorado. Com data e tudo.
Não adianta; o código genético da cabeça
feminina ainda não foi decifrado de forma confiável. Nem
para elas mesmas. Por isto mesmo não há manual que habilite
um cidadão do sexo masculino a lidar adequadamente com o comportamento
de uma mulher. Faça o melhor que puder e, se agradar, não
sonhe que é o mais esperto dos homens. No final sempre cabe a
ela decidir se vai faze-lo sentir-se o máximo ou não.
Também é bem esperta para entender que por mais que o
marido seja o pouco compreensivo, o distante, o que leva a vida devaneando
se no domingo vai dar Fla ou Flu, ele não é o inimigo.
E assim , as mulheres são bem capazes de usar qualquer estratégia
ou truque, ou criar grandes razões que os mantenham presos a
elas, sabendo como é sem sabor ou impossível, a vida sem
seus homens.
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