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Psicologia
MEU BEM, MEU... HEIN??? MEU MAL
Lisete Resende, Psicóloga Clínica, Vice-presidente
do Forum dos Articulistas de Uberaba, Assessora de Imprensa da Casa
do Folclore, e Diretora de Projetos e Marketing da Fundação
Cultural de Uberaba.
e-mail: liseteresende@hotmail.com
Publicado em 06/09/2006 |
Dizem que "de boas intenções o inferno está
cheio" e que também lá, eles separam os bem intencionados
em dois grupos onde, de um lado ficam os que tem chance de serem convencidos
da falácia de seus propósitos sendo encaminhados, um dia,
para o purgatório. De outro estão os que irão passar
o resto da eternidade seduzindo o diabo, tentando impor, até
lá, suas certezas, suas conclusões e crenças. São
aqueles capazes de tudo mas ... com a melhor das intenções.
Os bem intencionados deste segundo grupo são mais perigosos por
que seduzem as pessoas com sua forma agradável, oferecem proteção
financeira, proteção emocional ou alguma satisfação
importante. E tão logo se instalam no coração do
outro, iniciam a agressividade passiva, uma cegueira e surdez para com
o que quer que sejam pensamentos, sentimentos ou interesses deste outro.
Disfarçando com boas intenções seu poder, visa
dois objetivos: vender seu próprio sistema de crenças
e destruir a auto estima de quem conseguem conquistar. Sua preocupação
é criar um espaço onde se sinta seguro e onde possa sempre
se certificar de que lá "tá dominado, tá tudo
dominado".
No grupo dos candidatos ao purgatório, estão as pessoas
que passam a vida repetindo as promessas de que vão melhorar
um dia, os desajeitados que tentam fazer o certo e só se dão
mal, os que jamais cumprem uma ordem por acreditarem ter uma idéia
melhor para solucionar o problema, e os mentirosos que vivem inventando
histórias fantásticas para encobrir aqueles erros bem
"cabeludos". A pena é mais amena porque, nestes casos,
a culpa pode ser repartida já que, quem convive com alguém
assim, está consciente da possibilidade mínima de mudança
que se pode esperar deles.
O perfil do grupo destinado ao caldeirão, é do tipo "frente
e verso". São pessoas simpáticas, bons parceiros,
abertos ao diálogo ... na superfície. Em seu subterrâneo,
entretanto, são interesseiros, inseguros, manipuladores e prepotentes.
Competitivos ao extremo, abusam da crítica com a "boa"
intenção de ser sincero, e da benevolência como
uma arma de aprisionamento. Vendem a idéia "olha como sou
bonzinho" ou "faço tudo por você', mas cobram
a alma do outro por isso. Experimente, com algum destes, rejeitar uma
sugestão, opinião, e prepare-se para conhecer o lobo que
vive atrás deste cordeiro.
Como geralmente tem dificuldade de sentir, se esforçam para falar
teoricamente sobre sentimentos, traduzindo amor, que não entendem
mesmo, como "tudo o que eu quero é o seu bem". E na
verdade, é o que querem mesmo. Querem tirar o bem das pessoas,
seus desejos, vocações, pensamentos e seus sonhos. Acabam
por deixar o outro confuso, se sentindo errado, ingrato, fazendo esforços
para comprar a idéia de que felicidade é estar dentro
daquele sistema dito perfeito mas, que não tem sinal ou rastro
da sua essência, candidatos sim, a viver o outro, a ser seu clone...
Pode ser que talvez algum "bem" intencionado entenda que é
pecado usar o "eu cuido de você", ou "faço
o melhor que posso", apenas para seduzir, controlar e se sentir
assim, menos inseguro. O pior é ter que se contentar que isso
pode até acontecer um dia mas, talvez, só lá no
inferno...
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