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Psicologia
GUERREIROS PELA PRÓPRIA NATUREZA...
Lisete Resende, Psicóloga Clínica, Vice-presidente
do Forum dos Articulistas de Uberaba, Assessora de Imprensa da Casa
do Folclore, e Diretora de Projetos e Marketing da Fundação
Cultural de Uberaba.
e-mail: liseteresende@hotmail.com
Publicado em 25/10/2006 |
Porque será que somente um acontecimento explosivo, tem poder
para acordar, ainda que de forma momentânea, o lado emocional
de muitos homens? Somente um acontecimento tão maluco quanto
a força da crença daqueles terroristas, ou outro tipo
de acontecimento de grandes proporções, parece conseguir
quebrar o lacre da sensibilidade masculina e deixá-los filosofando
sobre a vida, questionando a solidariedade, a tolerância, o amor,
a paz ... é até bonito de se ver. Talvez seja uma dica
de que é preciso fazer muito barulho para encontrar abertura
e se hospedar num coração masculino. Assim, talvez a mulher
que não saiba ameaçar, desafiar, tirar a paz de um homem,
pode apostar... vai morrer solteira. A menos que aprenda, ao menos,
pilotar...
Mulheres já são menos armadas, mais transparentes, mais
abertas. Diferentes na forma de sentir, sensibilizam-se com pequenas
ou grandes tragédias, são empáticas, e estão
sempre prontas a assumir sua emoção e sua insegurança
num relacionamento. Jamais de envergonham de armar um barraco quando
o namorado elogia aquela morena sem graça que entrou no restaurante,
de inspecionar colarinhos, fiscalizar a agenda, ou interpretar qualquer
indisposição do parceiro, como prova de que ele não
a ama mais, ou está ou armando alguma. Cumprimentar uma ex namorada
tem o efeito de bomba com direito a se sentir muito vítima e
a derramar muitas lágrimas.
Os homens são mais defensivos e usam, como sistema de segurança,
algumas crenças que, apesar de absurdas, servem para protegê-los
da própria sensibilidade. Capazes de serem provocativos até
o fim do pavio, e emburrados quando não obtém a reação
esperada, são céticos e críticos quando lhes convém.
Às vezes a mulher não consegue falar duas frases sem que
ele revide. Se ela diz uma coisa doce, ele acha que é deboche.
Se ela argumenta sério sobre qualquer assunto, ele acha que é
ironia. Se ela pergunta algo do passado dele, ele a chama de paranóica.
Se ela ri de alguma piada ele acha que ela não entendeu. Artimanhas
de um coração masculino formatado nos "engole o choro"
ou "meninos não choram".
Acreditam, por exemplo, que são capazes de amar mais de uma mulher
ao mesmo tempo. Argumentam poder sentir um amor calmo, e terno por uma
pessoa, e outro cheio de palpitações, frisson, frio na
barriga por outra. Um que satisfaça alguns instintos e outro
que realize sua busca por paz e ternura. Dois amores diferentes, ambos
plenos e únicos, porém acontecendo ao mesmo tempo. E não
adianta o psicólogo lhe dizer que isso é dificuldade emocional,
que ele não conseguiu juntar duas partes de si mesmo em uma pessoa
só. Ele, ainda assim, considera isso um argumento a seu favor!...
Se o espírito de guerra ainda fascina o homem do século
21, não custa nada às mulheres dar-lhes um pouco desse
clima em casa. Pirrace, dê uma geral no porta luvas do carro,
bisbilhoteie o canhoto do talão de cheques e implique com tudo
que ele falar. Quando ele concordar com você, pergunte o que ele
anda aprontando. Se ele prestar atenção ao que você
fala, diga que ele está fazendo teatro. Se ele pedir o mesmo
prato que você no restaurante, diga que ele não tem personalidade.
Se ele pedir um prato diferente, diga que está criticando sua
escolha. Mas se notar que ele está armando alguma vingança...
se entregue. De corpo e alma. E fale sobre a paz, a tolerância,
amor..
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