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Psicologia
ESTÁ FALTANDO UMA COISA EM
MIM
Lisete Resende, Psicóloga Clínica, Vice-presidente
do Forum dos Articulistas de Uberaba, Assessora de Imprensa da Casa
do Folclore, e Diretora de Projetos e Marketing da Fundação
Cultural de Uberaba.
e-mail: liseteresende@hotmail.com
Publicado em 09/05/2006 |
Já vai ficando meio pré-histórico o tempo em
que a vida da mulher se resumia em aplaudir os sucessos do marido e
a exibir a beleza e genialidade dos filhos . Era assim que se avaliava
como pessoa. Para se sentir bem sucedida dependia de que várias
pessoas, que não ela mesma, se realizassem.
Uma mudança radical no comportamento feminino chegou quebrando
todos os paradigmas anteriores, impulsionando-a a buscar, com suas próprias
realizações, a felicidade como pessoa. Com a independência
financeira, pode se dar ao luxo de realizar todas as façanhas
antes só permitidas ao mundo masculino. E pensou como o He Man
: "eu tenho a força " ..e exigências e... muito
trabalho...
Para validar tantas conquistas foi preciso radicalizar, ser boa em tudo,
acumular tarefas e papéis e realizar todos com perfeição
.Trocou ter sete filhos pelos sete véus, mostrou o tornozelo,
votou nas eleições ,estudou, foi sozinha ao cinema, estabeleceu
recorde olímpico e até hoje só não foi (ainda)
papa e maçom. Mudou a frase "atrás de um grande homem..."
para "ao lado de um grande homem...", e, para estar ao lado
do seu grande homem, tem tropeçado várias e várias
vezes numa enorme pedra no meio do caminho.
Para algumas, a vida profissional tem funcionado como re-abastecedor
de auto estima, porém muitas têm no desejo de ser amada,
de namorar, de ser alvo de paixão por seu parceiro, o ponto fundamental
para se reciclar, se sentir com força, achar graça na
vida a dois.
A justificativa de que, com o tempo o amor se esgota ou que casamento
é assim mesmo, sem romance, sem namoro, sem beijo na boca, é
usada por quem menos acredita nisto . E realmente é uma grande
mentira. Os afetos que estavam bem ali quando a relação
começou não são esgotáveis e estão
ainda lá dentro de cada um, virando memória, lembrança
, sem que nenhum dos dois tenha morrido ainda.
Talvez ao se assumir papéis dentro da relação amorosa,
o namoro fique relegado aos momentos sexuais . O amor masculino sendo
traduzido , então, como o trabalho que executa em nome da família
e encontro com fins sexuais. E o encontro emocional , aquele espaço
onde ocorre a empatia, a cumplicidade, as conversas sobre os sonhos
de cada um, simplesmente nem é cogitado. Namoro então...
menor possibilidade. Se houver declínio do desejo sexual de algum
ou de ambos, fatalmente concluirão que o relacionamento acabou.
Há um risco enorme nesta "superstição".
Ao se aceitar viver um relacionamento sem açúcar e sem
afeto, a grande virada da mulher fica aqui, afogando na praia . Assumir
atitudes masculinas, não tem resolvido a questão. Reclamar
também tem se mostrado ineficaz . Talvez tenha chegado a hora
de entender que os homens , por "funcionarem" de forma diferente,
não são capazes de apreender o significado da palavra
relação emocional e, dedicar um longo e precioso tempo
a ensiná-los . Peça, dê birra, faça manha,
chore até " beber fôlego" mas, insista.. Melhor
tentar do que passar a vida cantando " eu agora estou falando com
as paredes...".
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