URASeções
  Ação Social

  Agenda Mensal

  Colunas & Colunistas

  Arte/Cultura

  Culinária

  Dicas de Beleza

  Especial

  Eventos

  Horóscopo

  Moda/Tendências

  Notícias/Destaques

  Saúde

  URA-Divulga

 URAServiços

  Agência de Viagem

  Artesanato

  Ateliê

  Cabeleireiros

  Cartões

  Clínica Veterinária

  Cursos

  Dentista

  Diversão

  Escolas

  Fotografia

  Imóveis

  Informática

  Jornais

  Locadoras

  Moda/lojas

  Molduras

  Hotel/Pousada

  Pneus

  Projeto Cultural

  Supermercado

  Telefonia

  Terapeutas
 URATempo
 Cotações
   * Dólar
   * Índice
   * Juros

 CURRÍCULOS


Principal |  Uberaba em Foco | Boletim URA OnlineAnuncie!
 

Seções » Colunas

Psicologia

POR ISSO EU CORRO DEMAIS...
Lisete Resende, Psicóloga Clínica, Vice-presidente do Forum dos Articulistas de Uberaba, Assessora de Imprensa da Casa do Folclore, e Diretora de Projetos e Marketing da Fundação Cultural de Uberaba.
e-mail: liseteresende@hotmail.com
Publicado em 13/12/2006

Ninguém sabe quem foi o pai da idéia de que, para merecer o carimbo de "você é gente", é preciso estar sempre ocupado, viver correndo, não ter tempo para nada. Alguém inventou essa moda, vendeu para a mídia e hoje, aquele que vive "atolado" no trabalho, dedicado de corpo e mente, merece até o honroso título de "...Você é Gente que Faz". Envolvidos num frenético movimento, lotando suas agendas, enredando-se em vários compromissos, é assim que o homem anda conseguindo obter a sensação de se sentir vivo, inserido no mundo, funcionando.

O incrível é a quantidade dos que criam gastos financeiros acima das suas reais possibilidades, lotam sua vida de jornadas duplas, de prestações, de nervosismos, para se manterem ocupados, para poderem reclamar que estão cansados ou para viverem a ilusão de que são indispensáveis no mundo. Constróem um padrão de vida que custa... a própria vida! Dizem que em nome da família, mas essa mesma família trocaria, por uma mesada menor, pais ou parceiros mais presentes.

Uma conseqüência danosa que acompanha o aceleramento de uma pessoa, é o fato de "anestesiar" algumas sensações e percepções importantes. As mesmas resoluções urgentes de ontem, do mês passado ou do mês que vem, não deixam alguém perceber que vem correndo há muito tempo, que o que se acelerou foi a forma de viver e de pensar. Vão se afastando de si mesmos, nomeando como stress uma insatisfação que não pode ser vista, como distúrbio nervoso um vida sem afeto, sem alegria. Isso quando não pensam estar precisando de calmantes quando precisariam, na verdade, repensar, buscar um pouco mais de satisfação para seus dias.
Essa idéia de que ser ocupado é ser feliz, tanto forçou a entrada na cultura atual que interfere negativamente nas pessoas que se aposentam, que não se sentem mais "funcionando", inseridos no mundo. Justo no seu melhor momento, na hora de usar a criatividade, de desacelerar, lá vem a depressão ou o tédio ocupar o lugar do prazer.

Viver ocupado serve como desculpa para alguns fugirem de qualquer tipo de relacionamento onde esteja implícito o verbo "envolver". Entendem de ser humano anatomicamente, teoricamente. Ai daquele que aparece com algum conteúdo pessoal, com algum comentário sobre o que sentiu, ou qualquer coisa do tipo, diga-se "humano"; um ar de incredulidade aparece, como se o sentir humano fosse algo ultrapassado, assustador, pré histórico.

Algumas dessas pessoas são aquelas que ligam cedo na sua casa e perguntam se você estava dormindo ainda, e completam com "que vida boa hein?!", ou que lhe encontram de manhã e fazem questão de dizer "que cara de sono..."que significam basicamente o quê? O que esse comentário quer dizer? Parecem fiscais do grupo "Meu Nome é Trabalho" tentando infringir, quem sabe, uma espécie de culpa conseguindo, no máximo, serem só chatos. Muito chatos.

Se você é alguém que gasta um tempo em se ocupar consigo mesmo, tem um sério compromisso com seu lazer e sua qualidade de vida, saiba que você também é "gente que faz". E faz melhor! Mas não fique se exibindo, matando os extra-ocupados de inveja. Minta, invente alguns compromissos, reclame também... Olha que inveja mata...