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Psicologia
LOUCO É QUEM ME DIZ QUE NÃO
É FELIZ.
Lisete Resende, Psicóloga Clínica, Vice-presidente
do Forum dos Articulistas de Uberaba, Assessora de Imprensa da Casa
do Folclore, e Diretora de Projetos e Marketing da Fundação
Cultural de Uberaba.
e-mail: liseteresende@hotmail.com
Publicado em 14/08/2008 |
Os profissionais que estudam comportamento humano consideram tarefa
complicadíssima conceituar “normalidade” e “loucura“,
termos tanto discriminatórios quanto inespecíficos que
estudam e pesquisam para evitar o seu uso, para não classificar
nem enquadrar pessoa alguma em qualquer desses conceitos.
Os leigos, não. Verdadeiros doutores em maluquices e doideiras,
leigos tem uma facilidade enorme em diagnosticar qualquer tipo de comportamento
como loucura, e de chamar alguém de “louco” seja
lá porque o sujeito gosta de filme francês, ou porque atira
pedras em avião e acha que acerta. Dizem: “esse cara é
doido...” para alguém que fala gesticulando, para os que
não se importam com a opinião alheia, para aquele que
gasta demais, para o pão-duro, o apaixonado, ou para alguém
que tem a audácia de comunicar sua opinião em público.
Funciona assim, ou você faz tudo que está socialmente previsto,
ou é doido e pronto.
A mania de apelidar alguém de louco pode ter, muitas vezes, motivos
simples como o medo, o desconhecimento, a timidez, o condicionamento.
Uma pessoa pode considerar como louca outra que faça o que muito
lhe apavora, seja algo mais radical como saltar de pára-quedas
ou mais light como sair sozinha para um chop. Mas, pode indicar também
uma forma de preservar-se trancado num mundo não sujeito a mudanças.
Júlio Verne foi “louco” por falar em submarino, aeroplano
no séc. XIX, Freud por ter postulado o complexo de Édipo,
Copérnico por dizer que a Terra não era o centro do universo,
e por aí vai. “Doidos” falando do impalpável,
do subjetivo e de sonhos, a uma multidão de “normais”
desinformados, temerosos e incrédulos.
A loucura, popularmente apelidada, na verdade não faz menção
a demências mas serve como um controlador social, assim como a
fofoca. Você teria coragem de não rir de uma piada sem
graça, ou de morrer de chorar porque seu amigo, e não
você, foi promovido ao cargo que você namorava, ou de dizer
a um cliente, que resolveu te alugar com um problema, “deixa de
ser chato e vai amolar a vó”? Nesse pequeno “teste”
de “sanidade” provavelmente você dirá não,
porque são comportamentos sociais deselegantes. Ou seja, “engulir
sapos” pode, significa que você é normal. E depois
é só ir chorando pra casa.
A única chance de alguém ser diferente, e não ser
tachado de doido é se, por sorte ele for rico o que o promove,
imediatamente, de louco a excêntrico. Mas quem está muito
longe de receber esse adjetivo, não convém viver rindo,
nem fazer festa quando encontra alguém que gosta, e nem agir
como se achasse a vida boa. Pessoas que apelidam as outras de loucas
usam aquele “uniforme” no rosto, a famosa .. cara de tédio!
Como as manequins desfilando, já viram?...Deve ser moda ou chique,
ou vai saber o quê mais, ter uma super cara de aborrecida. Que
mensagem será essa?... “eu sou normal”?! Se você
ri muito... já foi enquadrado.
Enquanto uma pessoa leiga não tem o menor constrangimento de
falar que alguém é doido, apesar de desconhecer o conteúdo
desse conceito, alguns profissionais tem uma referência mais simples,
conforme a situação, e consideram desequilibrados os que
não tem alegria de viver, não tem energia, não
tem coragem, nem se entusiasmam, o que coloca muito “maluco beleza”
de volta à lista dos “normais”. Eu concordo, e fico
mesmo com o que disse Rita Lee na música: “... mais louco
é quem me diz que não é feliz”.
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