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Sarah representa tudo de bondade que uma pessoa possa ter... só
que ela sempre foi "boazinha" demais para os outros e, neste
processo, esqueceu-se de si mesma. Desde pequena, apesar de seu temperamento
independente, a menina Sarah foi a filha mais obediente, a mais companheira
dos pais e, com isso, a mais querida da família. Na juventude,
fazia tudo pelos irmãos mais novos, renunciando até aos
seus passeios para financiar o divertimento dos irmãos. Casou-se
e, em busca de aprovação de todos como esposa e mãe
exemplar, abdicou de sua carreira e entregou a sua vida à família,
até que, vinte e cinco anos depois, viu-se sozinha, pois o marido
a trocou por outra mulher e os dois filhos a quem ela tanto se dedicou,
tomaram, naturalmente, os seus caminhos profissionais em países
diferentes. E agora, onde está Sarah? Ah... Sarah, magoada e
decepcionada, está sozinha em um hospital especializado em tratamento
de câncer, recuperando-se de uma séria cirurgia de retirada
de seu seio direito, invadido por um tumor maligno. E a família
e os amigos de Sarah... onde estarão? Estão cuidando de
suas próprias vidas e, no tumulto do dia-a-dia, o máximo
que fazem por ela... é um rápido telefonema.
Esta é uma história real que tenho certeza que se parece
com a de muita gente, infelizmente! A personagem Sarah representa todas
aquelas pessoas que se sentem pequenas diante dos outros, com necessidade
de se mostrarem fortes e protetoras, e que, em sua insegurança,
buscam constantemente comportamentos adequados para serem aprovadas
e elogiadas. São pessoas com um grande abalo em sua auto-estima,
incapazes de dizerem "não" sem culpas. Não são
as pessoas boas... são as "boazinhas"! São aquelas
que todo mundo sempre se lembra delas na hora da necessidade, na hora
de pedir um favor, mas quando o jogo vira... ninguém está
disponível para elas. E, nesse caso, a única forma de
terem a atenção que acreditam que merecem é, de
forma inconsciente, adoecendo ou acidentando-se. Mas, mesmo assim, todos
aqueles que lhe devem favores, aparecem para uma rápida visita
e, de novo, desaparecem.
Você sabe por que isso acontece com os "bonzinhos"?
Por que eles não se valorizam, não se colocam como o centro
de suas vidas, não se tratam bem e não acreditam que mereçam
ser bem tratados.
Saiba que tudo aquilo que você pensa a seu respeito é uma
energia tão poderosa que é como se tivesse escrito em
sua testa: "Eu tenho valor, portanto, respeite-me" - ou então,
ao contrário: "Pode pedir... eu estou aqui para servir-lhe".
Marido, esposa, pais, filhos, quaisquer parentes, amigos e até
pessoas estranhas percebem muito bem a insegurança dos "bonzinhos"
e acabam cometendo abusos. Depois, os "bonzinhos" ficam aí,
cheios de mágoas e decepções com aqueles a quem
eles tanto dedicaram os seus carinhos.
Pense nisso, querido leitor... Não estou dizendo aqui que devemos
ser egoístas e egocêntricos! O egoísta é
aquele que pensa somente em si e só quer saber das pessoas que
podem lhe trazer vantagens. Já a pessoa que se valoriza, que
é boa sem ser "boazinha", ela busca primeiro o seu
fortalecimento para que possa, depois, irradiar sua força para
aqueles que a cercam.
Portanto, seja "bonzinho" apenas com você mesmo, e,
com autoconfiança e autovalorização, seja bom e
humano para com os outros. A solidão não é uma
punição só para os egoístas e os orgulhosos,
porque os "bonzinhos" também acabam sós...
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