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Todos nós, seres humanos, passamos, mais dia, menos dia, por alguma situação em que os nossos mais elevados sentimentos são colocados à prova. É quando vem a dor da mágoa, do sofrimento causado pela falta de bondade de alguém. Aí, é chegada a hora de mostrarmos a nós mesmos e ao mundo o nosso valor, a nossa nobreza de sentimentos, fazendo o esforço quase sobre-humano de perdoar e de repudiar a vingança, sabendo que vingar é estar se igualando ao malfeitor, alimentando o ódio nos corações envolvidos pela dor. O perdão consiste em procurar desapegar-se da experiência negativa vivida e situar-se no presente, no "aqui e agora". Aprendamos a não julgar as pessoas pelos seus atos e aparências, porque, por trás de cada situação há sempre um turbilhão de dificuldades que nos passam despercebidas. Que possamos nos lembrar que, um dia, os nossos ofensores foram, também, bebês risonhos e frágeis... Há pessoas que se negam a perdoar, amarradas pelo rancor, achando que, se cederem ao perdão, serão consideradas covardes, fracas e humilhadas. Porém, quando falamos de perdão, não estamos falando de impunidade. É diferente. Perdoar não significa tolerar um comportamento que nos prejudica e nos fere, nem esquecer completamente a dor causada, porque isso, muitas vezes, é difícil. Os atos criminosos cometidos devem sempre ser punidos, pelas vias legais e o agredido, para se libertar das amarras do ódio, deve conduzir a própria vida de forma pacífica, lembrando-se sempre de fazer aos outros o que gostaria que lhe fosse feito. Recordo-me, agora, de uma passagem, no final da existência de Mahatma Gandhi (1869-1948), quando o interrogaram se ele havia perdoado todas as ofensas que recebera da parte dos seus ofensores e ele respondeu, com verdade: "Nada tenho que perdoar, porque nunca ninguém me ofendeu." Citando o seu biógrafo Huberto Rohden: " (....), atingiu o Mahatma um estágio evolutivo para além do vingar dos viciosos e para além do perdoar dos virtuosos; conseguiu não ser atingido por ofensa alguma; (....) conseguiu não se sentir mais ofendido, tornar-se absolutamente inofendível." Então, caro leitor, até que alcancemos essa condição
evolutiva, continuemos a burilar os nossos sentimentos. Comprovado está
que alimentar ressentimentos, culpar-se com relação ao
passado, censurar-se e olhar o futuro com medo são padrões
de pensamentos que mantêm as doenças e o mal-estar dentro
do nosso corpo, podendo até destruí-lo. A mágoa
arraigada corrói o organismo e transforma-se na doença
que chamamos de câncer. Quando estivermos doentes, precisamos
descobrir a quem temos de perdoar. O processo de cura inicia-se quando
nos dispomos a perdoar. Outras dificuldades decorrentes da falta de
perdão são os problemas financeiros, que se resolvem quando
nos dispomos a perdoar aqueles que um dia nos machucaram os sentimentos,
principalmente as pessoas ligadas à nossa criação.
(Por favor, com ética e honestidade, respeite os direitos autorais; ao repassar, mantenha os dados da autora).
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