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Positivo
A força do perdão
Eliana Barbosa

Consultora em Desenvolvimento Humano, articulista de jornais e de revistas de circulação nacional, autora dos livros “ACORDANDO PARA A VIDA – Lições para sua transformação Interior” e “O ENIGMA DA BOTA – Enfrentando a sucessão empresarial com equilíbrio e sabedoria” (ambos da Novo Século Editora), produtora e apresentadora de programas motivacionais em TV e rádio, e ministra palestras e cursos transformacionais sobre desenvolvimento pessoal e profissional por todo o país.
Home Page: www.elianabarbosa.com.br
e-mail: elianaconsultora@terra.com.br
Publicado em 17/07/2006


Com tantos acontecimentos tristes e chocantes e com tantas pessoas sofrendo os malefícios da violência, devemos parar com as lamentações e comentários negativos e começarmos a refletir que valor terá a nossa vida se a vivermos com ódio e desejo de vingança. Atenção: "sentir ódio é o mesmo que tomar um veneno querendo que o inimigo morra!". E quem é que vai querer viver toda a sua vida envenenado? Então, por essa razão, é que se faz preciso reconhecer em nós mesmos a necessidade do perdão.

Todos nós, seres humanos, passamos, mais dia, menos dia, por alguma situação em que os nossos mais elevados sentimentos são colocados à prova. É quando vem a dor da mágoa, do sofrimento causado pela falta de bondade de alguém. Aí, é chegada a hora de mostrarmos a nós mesmos e ao mundo o nosso valor, a nossa nobreza de sentimentos, fazendo o esforço quase sobre-humano de perdoar e de repudiar a vingança, sabendo que vingar é estar se igualando ao malfeitor, alimentando o ódio nos corações envolvidos pela dor.

O perdão consiste em procurar desapegar-se da experiência negativa vivida e situar-se no presente, no "aqui e agora". Aprendamos a não julgar as pessoas pelos seus atos e aparências, porque, por trás de cada situação há sempre um turbilhão de dificuldades que nos passam despercebidas. Que possamos nos lembrar que, um dia, os nossos ofensores foram, também, bebês risonhos e frágeis...

Há pessoas que se negam a perdoar, amarradas pelo rancor, achando que, se cederem ao perdão, serão consideradas covardes, fracas e humilhadas. Porém, quando falamos de perdão, não estamos falando de impunidade. É diferente. Perdoar não significa tolerar um comportamento que nos prejudica e nos fere, nem esquecer completamente a dor causada, porque isso, muitas vezes, é difícil. Os atos criminosos cometidos devem sempre ser punidos, pelas vias legais e o agredido, para se libertar das amarras do ódio, deve conduzir a própria vida de forma pacífica, lembrando-se sempre de fazer aos outros o que gostaria que lhe fosse feito.

Recordo-me, agora, de uma passagem, no final da existência de Mahatma Gandhi (1869-1948), quando o interrogaram se ele havia perdoado todas as ofensas que recebera da parte dos seus ofensores e ele respondeu, com verdade: "Nada tenho que perdoar, porque nunca ninguém me ofendeu." Citando o seu biógrafo Huberto Rohden: " (....), atingiu o Mahatma um estágio evolutivo para além do vingar dos viciosos e para além do perdoar dos virtuosos; conseguiu não ser atingido por ofensa alguma; (....) conseguiu não se sentir mais ofendido, tornar-se absolutamente inofendível."

Então, caro leitor, até que alcancemos essa condição evolutiva, continuemos a burilar os nossos sentimentos. Comprovado está que alimentar ressentimentos, culpar-se com relação ao passado, censurar-se e olhar o futuro com medo são padrões de pensamentos que mantêm as doenças e o mal-estar dentro do nosso corpo, podendo até destruí-lo. A mágoa arraigada corrói o organismo e transforma-se na doença que chamamos de câncer. Quando estivermos doentes, precisamos descobrir a quem temos de perdoar. O processo de cura inicia-se quando nos dispomos a perdoar. Outras dificuldades decorrentes da falta de perdão são os problemas financeiros, que se resolvem quando nos dispomos a perdoar aqueles que um dia nos machucaram os sentimentos, principalmente as pessoas ligadas à nossa criação.

Talvez ainda não saibamos como perdoar, mas ao nos dispormos ao perdão, o Universo acolherá o nosso desejo e nos ajudará nessa sublime tarefa de libertação interior.
Perdoar, enfim, é reconhecer que existe algo mais importante a fazermos com a magnífica energia da vida e procurarmos pensar somente no bem que podemos realizar.


(Por favor, com ética e honestidade, respeite os direitos autorais; ao repassar, mantenha os dados da autora).