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Palavras de Fé
PARÁBOLAS DE JESUS
Dom Aloísio Roque Oppermann scj - Arcebispo de Uberaba, MG
e-mail: domroqueopp@terra.com.br
Publicado em 22/01/08

Sem me referir ao ensinamento interior, dirigido pelo Espírito do Senhor, e que dá um conhecimento inigualável àqueles que o amam, conhecemos três caminhos para conhecer os ensinamentos de Jesus. O primeiro é compulsar as páginas do evangelho e, como bons discípulos, ouvir as suas pregações, os seus conselhos e suas orientações ímpares. Assim descobrimos que Ele é o Mestre por excelência, sem comparação com outros milhares de pequenos mestres que sempre existiram. “Vós me chamais de Mestre e Senhor, e eu o sou” (Jo 13, 13). O segundo caminho é verificar as práticas da Igreja primitiva. Ela que esteve em contacto direto com o Salvador, pela sua práxis captou aquilo que era caro ao seu Coração. Na vida das comunidades descobrimos as insistências de Jesus, aquilo que Ele mais explicou, a vida sacramental pela qual optou, enfim o essencial. Essas comunidades manifestam como que o DNA da doutrina original. O terceiro caminho é examinar os ensinamentos embutidos em suas parábolas. Pois, além dos ensinamentos oficiais, o inconsciente de Jesus, como autêntico ser humano, transmitiu muitas experiências suas.

Através de suas lindas parábolas, Jesus nos ensinou o uso normal do dinheiro para adquirir um lucro justo; nada manifestou sobre sua experiência no Egito (talvez por abarcar a tenra infância); conhecia os problemas da vida familiar; por ser célibe não transmitiu a experiência amorosa de um casal; nunca se referiu a assuntos de carpintaria; mostrou que conhecia toda a região de sua pátria, como a Galiléia, a Samaria, o mar, o deserto, Jerusalém, as principais estradas (portanto, não esteve trancado 30 anos em Nazaré); mostra grandes conhecimentos de lavoura, de trigais, de vinhas, de pescaria. Seu pai adotivo, São José, devia ter sido um homem estupendo. Pois todas as comparações que fez sobre o Pai Celeste, tem como termo de comparação essa figura paterna. Mas também sua Mãe, devia ter sido a pessoa mais extraordinária. Porque em todas as parábolas, a mulher exerce um papel simpático. Nelas elas são trabalhadeiras, dedicadas, amorosas, e entregues a fazer o bem. Esse respeito não teria vindo da sua experiência doméstica, onde sua Mãe foi a “bendita entre todas as mulheres?” (Lc 1, 42).

Dom Aloísio Roque Oppermann scj - Arcebispo de Uberaba, MG
Endereço eletrônico: domroqueopp@terra. com.br