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Cai na observação de todos os que já tem certo
tempo de vivência cristã, a falta completa da palavra “inferno”,
nas pregações pós-conciliares. As exortações
sobre a possibilidade de um fracasso total de nossa vida, hoje está
fora das atenções. Seria porque a Igreja não acredita
mais nas palavras do Senhor e Mestre? “Temei aquele que pode fazer
perecer no inferno, tanto o corpo como a alma” (Mt 10, 28). Ou
seria porque estamos cedendo às pressões do mundo moderno,
que só quer ensinamentos “light”, na linha de paz
e amor? Ou seria ainda porque tal ensinamento não combina com
o cerne da mensagem cristã?
Antes de tudo quero reafirmar a fidelidade da Igreja, esposa fiel
do Senhor, em tudo o que ensinou Jesus. Por ser nosso amigo. Não
se trata, absolutamente em não crer na possibilidade de uma condenação
derradeira.
O que entra em questão é o espaço que essa doutrina
de Jesus ocupa em nossas atenções. Não fiz nenhum
cálculo matemático. Mas atribuo, uma porcentagem pequena,
dentro do contexto da fé cristã. Tenho quase a certeza
de que o ensinamento sobre o inferno ocupa menos do que 0,5 % sobre
o total. O que em priscas eras aconteceu, é que as pregações
sobre o temido tema, tomavam conta, e perpassavam, de viés, todas
as exortações. A motivação da santidade
de vida deve ser o amor. O medo só dá resultados em certas
ocasiões. São João Bosco, exímio educador,
mostrava que para educar um jovem, era preciso apelar para motivações
positivas, e não para a correção e o medo. Para
o cristão deve ser apresentado, de preferência, o ideal
da santidade. O pêndulo da história corre de um extremo
a outro...As coisas vão voltar ao equilíbrio.
Se o ensinamento sobre o inferno é uma atitude pedagógica,
antes de tudo, sempre é preciso lembrar que isso é a penúltima
palavra de Jesus. Porque a última é sempre a misericórdia.
Só para quem não quer a presença de Deus, é
que existe a separação permanente. Para quem acha que
Jesus apenas deu uma “engrossada”, é bom lembrar
que Deus nos leva a sério e respeita a nossa liberdade. Veja
as atitudes de Jesus para com seus apóstolos: ele ensina, mostra,
procura convencer, e também é severo, às vezes.
Dom Aloísio Roque Oppermann scj - Arcebispo de Uberaba,
MG
Endereço eletrônico: domroqueopp@terra. com.br
Site: www.arquidiocesedeuberaba.org.br
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