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Um dos meios, bastante seguros, para recuperar a saúde e a plenitude das funções físicas, nos tempos modernos, é o transplante de órgãos. Hoje se realizam transplantes de córnea, de rins, de fígado, de pâncreas, de coração, de pele, e até de rosto, entre outros. Não me refiro aqui aos transplantes, efetivados na mesma pessoa (p.ex. porções de pele, retiradas de uma região do corpo, para socorrer outra região gravemente afetada, da mesma pessoa). Tal intervenção goza do privilégio de não sofrer rejeições do organismo, pois o corpo “reconhece” como suas essas partes. Estou puxando, no entanto, a conversa, para a doação de órgãos sadios, destinados a outras pessoas. De imediato, ao falar nessa possibilidade, entram em cena várias
resistências. De onde viriam tais oposições? Penso
que na primeira linha estão as experiências antipáticas,
realizadas por médicos nazistas, que desconsideravam qualquer
medida ética. Não se furtavam a praticar absurdos fisiológicos,
nem muito menos se preocupavam em obter a autorização
explícita das pessoas envolvidas. Também estão
guardadas em nosso inconsciente, os roubos de crianças indefesas,
para retirar-lhes os órgãos, e vende-los a “gente
boa”. A vigilância internacional já debelou esses
atos criminosos. Na linha da resistência também contam
os barões intermediários que, inúmeras vezes, conseguiram
se locupletar com a venda ilícita de órgãos. Isso
hoje é difícil de se repetir. Mas ainda há pessoas
da mais alta categoria, que imaginam não poder ceder órgãos
aos nossos semelhantes, porque então, na ressurreição
dos mortos faltaria um dos órgãos.Ora, nós perdemos
células durante a vida toda. E nenhuma delas vai nos fazer falta,
simplesmente porque o Pai Eterno, que nos criou com infinito poder,
também saberá suprir qualquer órgão que
nos tenha faltado em vida. Caso contrário o Cristo não
poderia ressuscitar, porque ele, além de nos doar sua vida, fez
doação de seu sangue até a última gota.
“E do seu lado saiu sangue e água” (Jo 19, 34). O
corpo glorificado de Jesus, após a ressurreição,
estava completo. Nada lhe faltava para ser um perfeito homem. Ademais,
as leis que hoje regem a doação de órgãos,
não dão mais chance para práticas criminosas. Em
frente, leitor. Vamos ajudar os outros. Os órgãos, que
forem úteis para alguém, devem estar disponíveis.
Dom Aloísio Roque Oppermann scj - Arcebispo de Uberaba,
MG |
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