|
Seções » Colunas
A revista Veja, para comemorar seus 40 anos de sucesso editorial, convocou
uma espécie de senado de pessoas conspícuas, para delinear
um grande projeto de desenvolvimento para o Brasil. Foi uma iniciativa
muito feliz, que levantou questões importantes, e num tempo eleitoral,
forniu a aljava de muitos políticos, de boas idéias. Mas
como a própria revista avisa, o círculo não está
fechado. Aguardam-se contribuições para o futuro. Modestamente
quero fazer duas achegas a essa louvável iniciativa. Antes de
tudo, quero mostrar que houve uma séria lacuna dentro desse projeto.
Ninguém se lembrou de enfatizar a importância de boas famílias
para o futuro do nosso país. Elas são a base de tranqüilidade
para uma nação. Parece que houve o temor dessa abordagem,
porque nos tempos atuais – até em nível de ONU –
o que se busca é a implantação de novos modelos
familiares. É a busca dos direitos das minorias. Concedo que
se esclareçam melhor essas novas situações. Mas
sobre a família tradicional, há bem tempo nada mais se
faz. Ela foi abandonada às suas próprias forças.
Se há alguma iniciativa, é para emagrecer seu espaço
vital e reduzir sua influência. Esqueceu-se o Gênesis: “Deus
fez o homem à sua imagem e semelhança. Homem e Mulher
ele os criou” (Gen 1, 27).
Mas a maior falha nasceu do fato de não se ter convidado nenhum
religioso para a exposição de idéias. A visão
que nasce das 40 propostas, é a importância exclusiva dos
bens materiais; da educação voltada para o mundo da economia;
do bom aproveitamento do petróleo do “pré-sal”;
da técnica. Essa visão padece de um vazio do verdadeiro
sentido da vida. Nós somos seres que se dirigem para o transcendental,
como já ensinavam os gregos. Organizar a vida a partir do “ici-bas”
é empobrecer o sentido da existência. Enfim, a rica e extraordinária
visão que Jesus nos comunicou sobre os valores do Reino de Deus,
não receberam atenção. Não quero com isso
dizer que entre as 40 propostas não houvesse nenhuma que se identificasse
com a lei da caridade de Cristo. Mas não há uma busca
explícita. “A busca de Deus é o centro da cultura”
(Bento XVI). Assim as propostas tem muitos neurônios, mas faltam
as sinapses, as ligações. Só a fé dá
sentido total à existência humana. No 41º aniversário
certamente haverá um espaço para essa força motivadora
do existir humano.
Dom Aloísio Roque Oppermann scj - Arcebispo de Uberaba,
MG
Endereço eletrônico: domroqueopp@terra. com.br
Site: www.arquidiocesedeuberaba.org.br
|