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Causa-me certa resistência, voltar a um assunto já bastante comentado na imprensa, sobre o uso do preservativo sexual. O Ministro da Saúde encorajou seu uso, indistintamente. Certamente para evitar duas resultantes não desejadas pelo poder público: a disseminação da AIDS, e a gravidez de tantas adolescentes. Poder-se-ia admitir retas intenções aos seus fautores. O objetivo seria evitar os enormes gastos públicos que isso acarretaria. Mas esse é um remédio que tem efeitos colaterais desastrosos. Se por um lado combate os dois males acima indigitados, como efeito deletério está estimulando a promiscuidade sexual, esta verdadeiramente uma questão de saúde pública. O Ministro estimula a todos a serem “bons de cama”. E com isso está demonstrando a enorme distância que o separa do princípio bíblico da fidelidade conjugal. “Não sejais infiéis à esposa de vossa juventude” (Mal 2, 15). Os dez mandamentos, cujo vigor é eterno, foram considerados arcaicos. Mas o que a prática do Ministério da Saúde mais
destrói, são os princípios da educação.
Antes de tudo a propaganda arrasa com toda a juventude, declarando que
ela é incapaz de praticar a abstinência sexual (contestando
o jogador Kaká, que se declara virgem), e oferece-lhe técnicas
modernas de “relaxar e gozar” sem nenhum perigo de haver
más conseqüências. Poderia primeiro apresentar o “Plano
A”, em que se estimula a juventude ao respeito pela família,
à fidelidade conjugal, à prática da virtude, e
à busca da virtude da castidade. Deveria ensinar que em tudo
se exigem limites, princípios e autodomínio. Freud procurou
dar o devido valor à sexualidade, mas nunca foi nenhum devasso.
Estimulou a disciplina. Nisso chegou perto de Jesus que dizia: “Quem
quiser ser meu discípulo, renuncie a si mesmo” (Lc 9, 23).
Mas o Ministério entrou de cheio no “Plano B”, supondo
que a cabeça de todos só tinha espaço para a sacanagem,
tipo BBB, que milhões de brasileiros apóiam. Com isso
declarou que a Escola não tem mais finalidade de educar para
a boa convivência humana, para os bons costumes, muito menos para
a oração e o apelo à ajuda da graça divina.
Isso seria tudo muito careta. Dom Aloísio Roque Oppermann scj - Arcebispo de Uberaba,
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