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A migração de católicos, para o espiritismo e para diversas denominações cristãs, é fato conhecido aqui no Brasil. Nas últimas décadas o catolicismo tem crescido em números absolutos, mas decaído em números proporcionais. Parece que a atitude heróica, de guardar a fé em meio a incompreensões, e de resistir a apresentações de soluções fáceis, para os problemas de saúde, e para as complicações insolúveis das finanças, tem pouco espaço. Estão longe do horizonte as resistências exemplares dos irmãos macabeus, a permanência na fé dos santos mártires, que preferiram entregar sua vida para não ceder em temas centrais do nosso credo. Hoje a mentalidade vigente – e essa é uma grande debilidade dos nossos tempos – é considerar tudo relativo, meio provisório, tudo renegociável, longe de compromissos definitivos. Troca-se de partido político, com a maior sem-cerimônia. As grandes ideologias jamais podem fazer uma tranqüila contagem de seus epígonos que, hoje estão de um lado da trincheira, mas amanhã podem estar do lado oposto. Em questão de filiação religiosa acontece o mesmo.
Além dos fiéis católicos, que são perseverantes
e comprometidos, há os que consideram tudo relativo: todas as
religiões são boas; não há diferença
essencial entre elas; o Deus é o mesmo; a salvação
é garantida para todos. Mas a fé católica tem firme
convicção da sua unicidade. De ser a depositária
da totalidade da mensagem de Jesus. De ser a única esposa de
Cristo. “Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”
(Mt 16, 18). As outras religiões são também palco
da salvação, e de manifestação divina. Mas,
como ensina o Concílio Vaticano II, somente a Igreja Católica
tem a inteireza da doutrina, e a garantia plena da presença da
graça. Por isso, certos líderes da nossa Igreja se tem
calado a respeito de verdades, ausentes em outras denominações.
Para não ferir o ecumenismo, se constrói a total amnésia
desses assuntos. Qual é o resultado dessa atitude de “generosidade”
mal compreendida? A confusão na mente de muitos fiéis.
A grande migração não coincidiu com o “ecumenismo”
mal entendido? Falar a verdade não precisa ser sinônimo
de briga. Podemos ser respeitosos e falar a verdade. Dom Aloísio Roque Oppermann scj - Arcebispo de Uberaba,
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