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Longe de nós qualquer menosprezo para com os modernos recursos da psicologia e da psicanálise. O ser humano pode ser ajudado por um bom profissional, para se livrar de seus temores, das inclinações inaceitáveis pela sociedade, ou de tendências paralisantes de sua personalidade. A análise, no entanto, não perdoa nada a ninguém, mas explica, e dá condições de a pessoa administrar suas tendências mórbidas. Ela consegue esclarecer a origem das neuroses, abordando o inconsciente. Mas é o homem e a mulher mesmos que devem assumir o controle de suas doenças psicológicas, e administrá-las. No âmbito religioso, nós cristãos sabemos, que
Cristo é o único ser humano, que não conheceu o
pecado. Ele veio para expiar os pecados do povo. A Igreja, ao mesmo
tempo santa e pecadora, abriga em seu próprio seio os pecadores.
Por isso ela é necessitada de purificar-se, numa busca incessante
de penitência e conversão. Todos os membros da Igreja,
inclusive os seus ministros, devem reconhecer-se pecadores. No coração
de todos, o joio do pecado está misturado ao trigo do evangelho,
até o fim dos tempos. “Se dizemos que não
temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos” (1 Jo
1, 8). Todos carecemos de purificação de nossa consciência;
de libertação de injustiças que praticamos; de
renovação contra as infidelidades praticadas contra a
fé, aninhadas no coração. Na análise não
existe absolvição. Mas na confissão o perdão
é real. “Fomos tornados justos pelo sangue de Cristo”
(Rom 5, 9). Aqui não se trata de uma auto-justificação,
como querem algumas correntes religiosas. Mas é um dom, nascido
do Coração amoroso de Deus. Ademais, a confissão
permanece no chão da realidade consciente. Só é
pecado o mal praticado conscientemente. A prática e o uso diuturno
desse grande sacramento é esquecido, por muitos fiéis,
nestes tempos pós-modernos. Alguns até concordam em fazer
uso da análise. Mas a confissão sacramental, grande tesouro
deixado por Cristo para a Igreja, está sendo, tranqüilamente,
deixado de lado. Por sinal, é bom constatar se você aproveita
a graça que Jesus lhe oferece, na força do Espírito
Santo, de buscar a sua santificação. Dom Aloísio Roque Oppermann scj - Arcebispo de Uberaba,
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