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Palavras de Fé
SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO FILMADO!
Dom Aloísio Roque Oppermann scj - Arcebispo de Uberaba, MG
e-mail: domroqueopp@terra.com.br
Publicado em 18/12/07

A guerra civil espanhola, ocorrida na década de 30 do século passado, e protagonizada pelos comunistas, é uma das páginas mais vergonhosas e covardes da história. Não é em vão que os Padres Beneditinos, na Basílica da reconciliação nacional, rezam, de hora em hora, uma missa de reparação pelos crimes cometidos pelos dois lados. "Nós perdoamos, mas não podemos esquecer", dizem cabisbaixos os espanhóis ainda hoje. Para fins de entendimento, vou apenas me referir ao massacre das Irmãs Contemplativas. Elas foram acusadas pelos revolucionários, de serem parasitas da sociedade, de viverem na ociosidade e de se valerem da boa fé do povo, para alcançar a sua sustentação. Centenas de Mosteiros foram arrasados, e milhares de inocentes Irmãs foram estupradas e massacradas. Na história da humanidade não existe página paralela.

De onde provém essa praxe de moças católicas sacrificarem tudo e se entregarem à oração e à caridade fraterna? Vem de Jesus. Veja o relato bíblico (Lc 10, 38 a 42), onde aparece Marta, cheia de preocupações pelo trabalho. E ao lado está sua irmã Maria, que ficou aos pés de Jesus, para beber de sua sabedoria. Jesus deu a sentença definitiva: "Maria escolheu a melhor parte. E esta não lhe será tirada" (Lc 10, 42). Aqui no Brasil, felizmente, não temos essa sanha persecutória que explode, de modo incontrolável, no coração de alguns povos. Temos para com as Irmãs de vida contemplativa, aquela discreta admiração, pelo seu modo frugal de viver (nem carne não comem), pela sua permanente oração em favor do povo, pela alegria que irradia de seus corações, pela constância nos trabalhos manuais. As Carmelitas são um exemplo. Mas entre nós criou-se uma outra praxe, que procura desmentir o que Jesus garantiu: esta parte não lhe será tirada. É a pressão imobiliária. Quase sempre quando se funda um mosteiro, ele começa fora da cidade, num descampado. Com o correr do tempo vão se ajuntando casas ao redor (é tão bom ter vizinhos amigos). Logo a seguir vem os espigões de 20 a 30 andares. Então acaba-se a espontaneidade. Quem pode impedir de crianças, munidas de binóculos, celulares e maquininhas fotográficas, devassarem qualquer passo que as religiosas dão fora de sua casa? É como lhes tirar a parte que Jesus garantiu, e mandá-las embora.

Dom Aloísio Roque Oppermann scj - Arcebispo de Uberaba, MG
Endereço eletrônico: domroqueopp@terra. com.br