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A guerra civil espanhola, ocorrida na década de 30 do século passado, e protagonizada pelos comunistas, é uma das páginas mais vergonhosas e covardes da história. Não é em vão que os Padres Beneditinos, na Basílica da reconciliação nacional, rezam, de hora em hora, uma missa de reparação pelos crimes cometidos pelos dois lados. "Nós perdoamos, mas não podemos esquecer", dizem cabisbaixos os espanhóis ainda hoje. Para fins de entendimento, vou apenas me referir ao massacre das Irmãs Contemplativas. Elas foram acusadas pelos revolucionários, de serem parasitas da sociedade, de viverem na ociosidade e de se valerem da boa fé do povo, para alcançar a sua sustentação. Centenas de Mosteiros foram arrasados, e milhares de inocentes Irmãs foram estupradas e massacradas. Na história da humanidade não existe página paralela. De onde provém essa praxe de moças católicas
sacrificarem tudo e se entregarem à oração e à
caridade fraterna? Vem de Jesus. Veja o relato bíblico (Lc 10,
38 a 42), onde aparece Marta, cheia de preocupações pelo
trabalho. E ao lado está sua irmã Maria, que ficou aos
pés de Jesus, para beber de sua sabedoria. Jesus deu a sentença
definitiva: "Maria escolheu a melhor parte. E esta não
lhe será tirada" (Lc 10, 42). Aqui no Brasil, felizmente,
não temos essa sanha persecutória que explode, de modo
incontrolável, no coração de alguns povos. Temos
para com as Irmãs de vida contemplativa, aquela discreta admiração,
pelo seu modo frugal de viver (nem carne não comem), pela sua
permanente oração em favor do povo, pela alegria que irradia
de seus corações, pela constância nos trabalhos
manuais. As Carmelitas são um exemplo. Mas entre nós criou-se
uma outra praxe, que procura desmentir o que Jesus garantiu: esta parte
não lhe será tirada. É a pressão imobiliária.
Quase sempre quando se funda um mosteiro, ele começa fora da
cidade, num descampado. Com o correr do tempo vão se ajuntando
casas ao redor (é tão bom ter vizinhos amigos). Logo a
seguir vem os espigões de 20 a 30 andares. Então acaba-se
a espontaneidade. Quem pode impedir de crianças, munidas de binóculos,
celulares e maquininhas fotográficas, devassarem qualquer passo
que as religiosas dão fora de sua casa? É como lhes tirar
a parte que Jesus garantiu, e mandá-las embora. Dom Aloísio Roque Oppermann scj - Arcebispo de Uberaba,
MG |
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