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Na vida eclesial já tenho uns bons anos de janela. Tive a graça de viver os tempos pré-conciliares, nos quais consegui assimilar as grandes acentuações da vida católica, nos quadros da primeira metade do século XX. Acompanhei, com sofrimentos (e põe sofrimento nisso), e com reconfortadoras alegrias, as aplicações práticas do Concílio Vaticano II. Tenho hoje a graça de ser partícipe das evoluções concretas, dos ajustamentos e aproximações, que a vida da Igreja busca nas páginas das Escrituras, e na sua história. Hoje quero comentar dois grandes "sonhos" conciliares, vividos entre revezes e sucessos. O ecumenismo, aparentemente sem grande respaldo escriturístico, ficou em parte atolado nas refregas minúsculas da desconfiança recíproca. Não houve um "abrir de coração" entre as comunidades cristãs. Já foi um sucesso de - com pequenas exceções - pararmos de falar mal uns dos outros. Também pudemos celebrar alguns acordos teológicos recíprocos, de significativa importância. Mas persistem, do lado "deles", desconfianças de domínio, atribuído ao tronco comum de todas as comunidades cristãs. E do nosso lado se introduziu uma mentalidade relativista, a tal ponto que São Pedro teve que chamar a atenção - na "Dominus Jesus" - retornando aos ideais do Concílio. Hoje fazemos o que os motoristas fazem na parada do sinal vermelho: olhamos uns para a cara dos outros, sem termos assunto. O entrosamento dos Leigos, na missão da Igreja, teve uma trajetória
mais feliz. Durante os anos pós-conciliares, a presença
do Leigo na vida eclesial, só melhorou. O progresso é
lento, mas aparece aos olhos de todos. Superamos aquela fase do medo
dos leigos, esperando ordens da hierarquia para trabalhar. Ultrapassamos,
igualmente, um perigoso confronto, que redundaria num aniquilamento
mútuo. Isso, louvado seja Deus, nos faz voltar às origens
da Igreja, onde fiéis leigos e ministros ordenados aplicavam
a si igualmente o que Jesus ordenara: "Ide e fazei discípulos
meus todos os povos..." (Mt 28, 19). O documento de Aparecida lança
um desafio irrecusável aos leigos. Queremos realizar nos próximos
anos a grande Missão Continental. O clérigo não
vai perder a sua função coordenadora. Mas o leigo está
subindo ao palco, para ser o grande protagonista dos novos tempos. Dom Aloísio Roque Oppermann scj - Arcebispo de Uberaba,
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