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O diálogo entre a Igreja e o mundo moderno não está nada fácil. Tornou-se uma avenida de mão única. Só as idéias de cunho secularista tem veiculação livre. Veja algumas tônicas consideradas definitivas : a ciência é o único saber que oferece a verdade; o desenvolvimento do mercado é o único modelo econômico possível; o humanismo é a alternativa como projeto de salvação; as utopias do progresso desalojam as esperanças da imortalidade religiosa; as ideologias da auto-estima exacerbada põem de escanteio o conceito de Divina Providência... Da nossa parte, procuramos aprender muito do mundo de hoje, segundo
o sábio ensinamento de São Paulo: "examinai todas
as coisas e ficai com o que é bom" (1 Tes. 5, 21). Desse
mundo conturbado, mas belo assim mesmo, adotamos os valores dos direitos
humanos, o respeito pela dignidade das pessoas, a liberdade de crença,
e as vantagens da democracia. Em contrapartida os pensadores modernos
não aceitam nossa maneira de entender a dignidade humana (somos
filhos de Deus); sentem resistência diante da perspectiva da vida
eterna ( a nossa visão é muito mais completa); não
querem pensar sobre nossos valores da ordem familiar (união indissolúvel,
respeito pela vida)...Parece que entramos numa fase de marcha em ponto
morto. A resistência do lado secularizante se manifesta não
só em ser contra nossas posições, mas especialmente
em não querer ouvir nossos argumentos. Qualquer posição
da Igreja em assuntos de moral levanta uma ira irrefreável. Então,
como vamos trabalhar, aproveitando os pequenos laivos de boa vontade
que aparecem? Usando a sua maneira de pensar! Não falaremos mais
das afirmações da Bíblia, nem que os comportamentos
errôneos provocam a ira divina. Mas conversaremos sobre os nossos
valores cristãos, apelando para as leis da psicologia, para os
direitos humanos, para os princípios da boa lógica, para
a dignidade humana. Os homens e as mulheres que representam a modernidade
fariam muito bem em ouvir Habermas (filósofo alemão e
agnóstico), que diz: "Os filósofos devem ouvir
os representantes das religiões, pois eles tem muito a nos ensinar"
(in "Dialética da secularização" Habermas
x Ratzinger). Dom Aloísio Roque Oppermann scj - Arcebispo de Uberaba,
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