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Às carradas e sem seqüência que fizesse algum sentido, me abraçaram em redemoinho as muitas centenas de fotos de antes de anteontem, todas num sépia que esmaecia os rostos dos retratados. Sentia o turbilhonamento me envolvendo num cone furioso. E me larguei completamente, atento para ver até onde iria aquele despropósito. Soprado pelo acaso horas e horas, a milhares de metros acima das nuvens,
fui perdendo altitude lentamente até cair no mar dos colos mornos,
que conhecia dos prospectos das agências de turismo. Eram só
colos, a perder de vista, sem as cabeças e troncos, somente esse
filé do corpo onde os bebês tão bem se encaixam
e onde os amantes têm e oferecem os arrepios mais sutis. Algumas
das espáduas muito brancas e tão lisas, várias
delas sardentas, outras queimadas pelo sol com a marquinha da alça
do biquíni. Desse país guardei as cores da bandeira e
a melodia do seu hino, que entoava enquanto era conduzido, na gala do
melhor traje, ao baile dos quixotes e borralheiras na Grande Praça
de Antuérpia. À luz dos fogos-fátuos, assistia
pasmo ao que se passava num beco próximo, tão próximo
que me parecia uma extensão de mim a fazer-me ponte sobre o Mississipi.
Abre-te Sésamo e vi, abrindo-se sesamente, o riso do Gibrair,
glutão de muitas coxinhas falando de cromossomos. Escondido atrás
do Sódio da tabela periódica, ele não deu por mim
na sala nem percebeu quando saí. Já não era sem
tempo: chamava-me a mãe para o almoço. Mas isso em um
dos ouvidos. No outro uma voz gelada, vinda de alto-falante: “Doutor
Marcos, Emergência”. De novo: “Doutor Marcos, Emergência”.
Pane no cone de fotos. Pouso forçado, ferimentos vários.
Que sirva de lição, da próxima vez garanto que
não me deixo levar. |
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