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Seções » Colunas

Líricas Bulhufas
BREVÍSSIMAS OLÍMPICAS
Marcelo Sguassábia *

Publicado em 27/08/08


Notas do nosso correspondente enviado a Pequim

Meu leal e benevolente leitor, posso até vê-lo daqui, do outro lado do mundo, à frente da sua TV adquirida em suaves parcelas nas Casas Bahia, acompanhando os certames de Pequim e detonando sua porção de pipoca de microondas com a voracidade de um leão a destroçar o alce. Adivinho também que o amigo deva estar no momento com ambas as mãos ocupadas, uma pilotando o controle remoto e outra segurando o copão de coca ou cerveja, o que me faz supor que se encontre com a cara enfiada nos piruás que ficaram lá no fundinho da tigela, tal qual ruminante no cocho.

Pois não seja eu a perturbar o seu televisivo espírito olímpico com minhas dispensáveis notas, tão sem encanto e interesse. Contudo, aí vão algumas delas, que sou forçado a parir por estar sendo (mal) pago para isso.

No cálculo em altura, deu a lógica: dona Oberici Guedes da Costa, angolana naturalizada portuguesa, que o Guiness Book of Records aponta como o ser humano do sexo feminino com maior quantidade de sardas por centímetro de pele, ficou com a medalha de ouro em conta de dividir com três casas decimais depois da vírgula – a sua especialidade, juntamente com a recitação de cor e salteada dos números primos até 859.663.002.984.351.935. Tal feito deixou boquiaberta toda a platéia do Ninho de Pássaro, naquela altura do campeonato já totalmente salpicado por cacas de pombas de variadas nacionalidades.

Grande expectativa marcava a final dos bocejos de praia, masculino e feminino. O público que lotava as arquibancadas ia ao delírio frente ao hipopotâmico esgarçar de mandíbulas dos moços e moças de Gana, que em espetaculares jogadas ensaiadas deixava os adversários desconcertados. Causou consternação geral o momento em que os medalhistas de prata deixaram a quadra de bocejos aos soluços, enxugando as lágrimas com a bandeira de seu país (que a bem da verdade não me lembro exatamente qual era).

Seria este repórter um relapso se deixasse de registrar a zebra por excelência destes jogos, no revezamento 4 x 400 sem barreiras. Como é do conhecimento de todos, essa prova consiste na participação de 400 atletas a percorrerem uma distância de 4 metros cada um, passando o bastão para o próximo, que corre seus 4 metros e assim sucessivamente. Os fundistas do Cazaquistão, favoritos pelo exímio preparo físico, foram vencidos pela equipe da Guiné Bissau, que no entanto teve que devolver as medalhas duas horas depois por dopping. Resultado: a China sagrou-se vencedora, sendo esta a única láurea conquistada pelo país anfitrião.

Last but not least, o nada sincronizado foi a modalidade de maior audiência do evento, calculada na fase eliminatória em 6,5 bilhões de pessoas ao redor do globo. Tivemos uma final arrebatadora, onde, em impecável sincronismo, 87 atletas nada faziam durante as cinco horas e trinta e cinco minutos de duração da prova. Um acontecimento que ficará gravado para sempre nos anais da história e que honrou sobejamente o ideal olímpico do Barão de Coubertin. Agora, é aguardar Londres 2012, onde juntos estaremos mais uma vez – se a sua paciência suportar e se de novo cometerem a imprudência de me enviar para a cobertura.


* Marcelo Sguassábia
Humor, nonsense, sátira e o mais puro e mal-acabado besteirol. Junte a isso algumas incursões no universo onírico, com um tiquinho de nostalgia e introspecção. É esse mais ou menos meu estilo: o não-estilo definido.
Sou redator publicitário, beatlemaníaco empedernido, pianista diletante e fã de livros e filmes que tratem sobre viagens no tempo. Tenho coluna fixa em diversas publicações eletrônicas e um jornal impresso.
Blogs:
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E-mail:
msguassabia@yahoo.com.br