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Boa Vontade
A queda de todas as bastilhas
Publicado em 26/07/08
José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor,
é Presidente das Instituições da Boa Vontade.
www.lbv.pt |
Dia 14 de julho. Completam-se 219 anos da Queda da Bastilha, episódio
que deflagrou a Revolução Francesa (infelizmente manchada
pelo sangue dos guilhotinados), cujas origens remontam aos enciclopedistas,
vanguardeiros do iluminismo. Relativo ao tema, selecionei apontamentos
meus, ao longo do tempo, de palestras, programas de rádio, TV
e de artigos publicados no Brasil e no exterior.
Não tenho pretensão de discutir aspectos históricos
? existem bons livros para isso ?, contudo extrair uma importante analogia
sobre quanto ainda é forçoso trilhar a fim de que as populações
da Terra deixem ruir de suas mentes e corações a pior
de todas as bastilhas: a ignorância acerca da realidade gritante
da vida após o fenômeno da morte. Fator decisivo para que
a valorização do ser integral (corpo e espírito)
dite as regras dos governos das nações no Terceiro Milênio:
Quando garoto, devia ter 9 para 10 anos, assisti com meu pai, Bruno
Simões de Paiva (1911-2000), no Rio de Janeiro, a um filme sobre
o 14 de Julho.
Nos séculos 17 e 18, o absolutismo monárquico atingira
intensa projeção. Como geralmente acontece nas relações
cotidianas, se afastadas do respeito ao ser humano e seu espírito
eterno, houve por parte da monarquia francesa um descaso tremendo com
as necessidades básicas do seu povo, cuja expressão mais
grotesca seria a frase que teria sido proferida pela rainha Maria Antonieta
(1755-1793), ao ser informada por um dos cortesões de que o barulho
que a importunava vinha das massas famintas clamando por pão:
“Por que não comem brioche?”
Tal contingência desumana tinha de desmoronar por força
do curso inexorável da História.
A população de Paris, em 14 de julho de 1789, desesperada,
marchou contra a prisão, símbolo da tirania de que desejava
livrar-se.
Abrir caminhos
Nesse filme há uma cena impressionante. Ela representa as pessoas
que não temem abrir caminhos: o povo estava de um lado e aqueles
que protegiam a Bastilha, do outro. Entretanto, os que ameaçavam
invadi-la, com temor, não avançavam. De repente, um homem
destacou-se do meio daquela multidão e atravessou a ponte que
cobria o fosso, sendo abatido por uma descarga de tiros. Esse ato de
coragem fez com que os demais o imitassem e, assim, conseguissem entrar
na fortaleza. Parece perspectiva romântica de um momento trágico,
porém retrata de modo irretocável uma verdade: há
sempre alguém que se sacrifica pela mudança substancial
do status quo. Não é preciso levar bala para que as transformações
ocorram. Há outros choques que ferem mais os vanguardeiros, a
exemplo da incompreensão, da inveja, do preconceito, da perseguição
e do boicote.
Na seqüência do longa-metragem, observamos a tomada da prisão,
destruída de cima a baixo.
Existem aqueles que, tentando minimizar o fato histórico, apresentam
uma argumentação frugal de que o famoso cárcere
não mais tinha relevância naquele período, pois
apenas uns poucos presos lá se encontravam.
Ora, o que o povo demoliu não só foi a construção
de pedra; no entanto, o mais expressivo emblema, para ele, do absolutismo
dinástico!
E a palavra dinastia pode, por extensão, significar muita coisa,
uma vez que funciona tanto no feudalismo quanto na burguesia, no capitalismo
e no próprio comunismo. Dinastia não implica somente a
sucessão por sangue. Existe uma pior: a da ambição
desmedida que arrasa o ser vivente, sob qualquer regime.
Uma nova civilização
Hoje se faz necessário pôr abaixo as bastilhas invisíveis,
todavia, de conseqüências bem palpáveis: espirituais,
morais, psicológicas, do sentimento.
Façamos florescer uma civilização nova a partir
da postura mental e espiritual elevada de cada criatura. Já dizia
o filósofo: “A fronteira mais difícil a ser transposta
é a do cérebro humano”. O homem foi à Lua,
mas ainda não conhece a si mesmo.
O Templo da Boa Vontade — há pouco aclamado pelo povo como
uma das sete maravilhas de Brasília e que, segundo dados oficiais
da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo do Distrito
Federal (SDET), é o monumento mais visitado da capital do país
— convida as criaturas a essa epopéia de empreender uma
viagem ao seu próprio interior. Feito isso, sair até mesmo
da Via Láctea será facílimo: desde que descubramos
o âmago celeste de nosso ser, pois, na verdade, para o espírito,
o espaço não existe.
Assegurou Jesus: “Tudo é possível àquele
que crê” (Evangelho, segundo Marcos,
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