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Atualidades
 
As agressões verbais e físicas – realidade nas escolas brasileiras
Publicado em 17/06/09
Patrícia Valéria Bielert do Nascimento, professora do ensino fundamental e ensino universitário. Graduada em Pedagogia pela Universidade de Uberaba, Pós-graduada em Metodologia do Ensino da Geografia e Mestre em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia- MG
e-mail: bielert@terra.com.br

         A cada dia que passa trabalhar como educador tem sido um desafio constante para o profissional da educação. A realidade que nos deparamos dentro da sala de aula é assustadora. A violência continua marcando de forma agressiva e impetuosa as relações interpessoais entre escola-aluno-comunidade.

         Mesmo tendo consciência de uma educação democrática e cidadã da qual estudamos nas universidades, e nas pesquisas de políticas educacionais realizadas em todo o país, ainda permanecem as agressões verbais e físicas que os educadores vêm enfrentando na sala de aula.

         Os alunos estão perdendo os valores. Ensinar está sendo um objetivo difícil de atingir, pois o professor estuda, planeja, organiza todo um material didático metodológico para enriquecer suas aulas e quando chega todo animado para ensinar, encontra alunos agredindo alunos dentro da sala de aula. Alunos falando palavrões e agredindo verbalmente os professores. Isso do nada... Isso mesmo! Sem motivo. Sem ética e sem piedade!

          Quando a escola chama os pais para terem um diálogo aberto e sincero, pedindo ajuda... Ainda recebe mais agressões. Ainda têm pais que tem a coragem de dizer que os filhos são “uns anjos na casa deles” e que o professor está equivocado. Ironia do destino ou sina de um educador que ainda sonha com um mundo melhor e mais humano?

Os colegas da sala de aula presenciam as cenas e o constrangimento que os educadores passam e ninguém quer ouvi-los. Quem defenderá os professores? Que educação a família está dando na instituição do qual o filho está inserido? Que direito o educador tem de se defender diante dos fatos? Quem vai ouvir um menor?

         Muitos se calam. Outros ficam indignados, falam, denunciam, mas as agressões e a violência ainda continuam prevalecendo nas escolas. O que fazer? A quem dirigir quando as crianças, adolescentes e adultos têm comportamentos diferenciados e agressivos dentro da sala de aula? Professor não é psicólogo, nem psiquiatra, é um educador de homens.

         A solução seria fazer um BO contra uma criança? Se essa fosse a solução os policiais ficariam somente indo e vindo às instituições escolares por conta de tantos boletins de ocorrência.

         E a educação do país, continua subindo “os degraus do sucesso”. E você professor vai ter que parar de ensinar... Vai ter que procurar uma profissão, que seja pelo menos uma profissão que te respeite e valorize pelos saberes e habilitações que possui.

         Nas escolas de Uberaba a situação não é diferente. O índice de agressividade, de conduta e de valores tem sido assustador de tantos aspectos negativos. Os professores precisam de respaldo político e pedagógico para lidar com esses comportamentos diferenciados e mais, precisam do apoio da comunidade para enfrentar as dificuldades.

         E não vai longe. A televisão tem apresentado cenas de um adolescente que faz de tudo para prejudicar a vida dos educadores. E vem conseguindo de uma forma direta ou indireta mostrar o que a escola passa...        O que nós passamos?

Enfim, gostaria de deixar aqui registrado a minha indignação contra a violência física e verbal que os educadores estão vivenciando na sala de aula. E mais... Pensar que na maioria das vezes o aluno acaba ganhando a causa, por que ele tem o “direito à educação”. E o professor que direito tem em ser agredido, “a favor da educação”?