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E com vocês... os maiores dançarinos do Brasil: Jaime
Arôxa e Bianca Gonzalez! Depois desse anúncio o casal entra
em cena mostrando o melhor que temos na dança de salão
neste país. O espetáculo raro aconteceu aqui, em Uberaba
no dia 20/10/07. Verdadeira apoteose!
Muitas vezes vi coisas do gênero, mas não com os adornos
e destaques daquele dia. Depois de Arôxa e Bianca, outros casais
também dançaram, mostrando que o mestre é mestre
e ali estava a chance de reverenciá-lo. O acadêmico Henrique
Felício se empolgava e com razão, ao anunciar cada ato
do espetáculo.
"Com os aplausos de vocês, apresento-lhes os casais: Nivaldo
e Poliana / Rones e Ercineide / Gilmar e Patrícia / Marcos Paulo
e Rosenilda / Renato com Rosângela." Faz-se um espaço
de tempo providencial para a entrada dos casais. Justificável
pois ali estavam cinco cadeirantes que, com seus respectivos pares postados
de pé dariam um espetáculo à parte. Cadeiras, corpos,
elegância e ritmo deslizaram no salão ao som do bolero
La Barca. Nenhum dos cadeirantes parecia estar sentado, tal era alegria
que irradiavam. E nós não fomos parcimoniosos para aplaudi-los.
No intervalo, não deixei por menos e fui falar com os graciosos
da dança de salão sobre cadeiras de rodas. Após
cumprimentá-los ouvi o drama de cada um, ficando-me claro que
aquele momento ímpar era a conseqüência de terem entendido
a grande realidade: "O nosso problema, por maior que seja, nunca
terá o tamanho aumentado além do real por quem vai analisá-lo".
Não adianta portanto, nos recolhermos na lamúria.
Um acidente ou uma enfermidade não foram suficientes para sucumbir
aqueles felizes dançarinos sobre rodas. Ali estava a prova de
que: "Se existe o problema a solução está
a caminho; e se ela demora é porque estamos dificultando a sua
chegada".
Professor Nivaldo Vital, o dedicado. A ADEFU - Assoc. dos Deficientes
Físicos de Uberaba, a casa acolhedora. A Cia. de Dança
de Salão Henrique Felício, o campo onde os pensamentos
negativos não aterrissam. Eis aí os motivos que levaram
aquelas cinco carreiras momentaneamente interrompidas a tomar novos
rumos. A dança, pelo visto ali, pode ser para o cadeirante, o
que a pintura foi para Anatê (Ana Teresa Resende Gonçalves)
cujos quadros mesmo sem a visão direta do firmamento, permitiram-lhe
abrir "Uma janela para o mundo".
Muitos de nós chamamos a tristeza, a ansiedade e até o
desespero para acercar-nos ao vivermos uma experiência difícil.
A alegria, a reflexão e a calma na maioria das vezes chegam atrasadas
porque retardamos as suas presenças. Só o exercício
das nossas virtudes e valores permitem-nos sair vencedores. A dança
dos cadeirantes é a grande comprovação.
(*) DO FÓRUM PERMANENTE DOS ARTICULISTAS DE UBERABA E REGIÃO.
E-mail: forumarticulistas@hotmail.com
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