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A DANÇA DOS CADEIRANTES
* João Eurípedes Sabino
www.joaosabino.com.br

Publicado em 13/11/07

E com vocês... os maiores dançarinos do Brasil: Jaime Arôxa e Bianca Gonzalez! Depois desse anúncio o casal entra em cena mostrando o melhor que temos na dança de salão neste país. O espetáculo raro aconteceu aqui, em Uberaba no dia 20/10/07. Verdadeira apoteose!

Muitas vezes vi coisas do gênero, mas não com os adornos e destaques daquele dia. Depois de Arôxa e Bianca, outros casais também dançaram, mostrando que o mestre é mestre e ali estava a chance de reverenciá-lo. O acadêmico Henrique Felício se empolgava e com razão, ao anunciar cada ato do espetáculo.
"Com os aplausos de vocês, apresento-lhes os casais: Nivaldo e Poliana / Rones e Ercineide / Gilmar e Patrícia / Marcos Paulo e Rosenilda / Renato com Rosângela." Faz-se um espaço de tempo providencial para a entrada dos casais. Justificável pois ali estavam cinco cadeirantes que, com seus respectivos pares postados de pé dariam um espetáculo à parte. Cadeiras, corpos, elegância e ritmo deslizaram no salão ao som do bolero La Barca. Nenhum dos cadeirantes parecia estar sentado, tal era alegria que irradiavam. E nós não fomos parcimoniosos para aplaudi-los.

No intervalo, não deixei por menos e fui falar com os graciosos da dança de salão sobre cadeiras de rodas. Após cumprimentá-los ouvi o drama de cada um, ficando-me claro que aquele momento ímpar era a conseqüência de terem entendido a grande realidade: "O nosso problema, por maior que seja, nunca terá o tamanho aumentado além do real por quem vai analisá-lo". Não adianta portanto, nos recolhermos na lamúria.

Um acidente ou uma enfermidade não foram suficientes para sucumbir aqueles felizes dançarinos sobre rodas. Ali estava a prova de que: "Se existe o problema a solução está a caminho; e se ela demora é porque estamos dificultando a sua chegada".

Professor Nivaldo Vital, o dedicado. A ADEFU - Assoc. dos Deficientes Físicos de Uberaba, a casa acolhedora. A Cia. de Dança de Salão Henrique Felício, o campo onde os pensamentos negativos não aterrissam. Eis aí os motivos que levaram aquelas cinco carreiras momentaneamente interrompidas a tomar novos rumos. A dança, pelo visto ali, pode ser para o cadeirante, o que a pintura foi para Anatê (Ana Teresa Resende Gonçalves) cujos quadros mesmo sem a visão direta do firmamento, permitiram-lhe abrir "Uma janela para o mundo".

Muitos de nós chamamos a tristeza, a ansiedade e até o desespero para acercar-nos ao vivermos uma experiência difícil. A alegria, a reflexão e a calma na maioria das vezes chegam atrasadas porque retardamos as suas presenças. Só o exercício das nossas virtudes e valores permitem-nos sair vencedores. A dança dos cadeirantes é a grande comprovação.

(*) DO FÓRUM PERMANENTE DOS ARTICULISTAS DE UBERABA E REGIÃO.
E-mail: forumarticulistas@hotmail.com