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A HUMILDADE DOS MAIORES
* João Eurípedes Sabino
www.joaosabino.com.br

Publicado em 02/06/08

O que nos move a depositarmos a nossa confiança em alguém ou vice-versa? Imaginemos quando esse depósito de confiança é inesperado e o depositante realiza seu gesto, passados poucos dias da amizade ter nascido.

No episódio que narrarei, o depositante da confiança foi o cantor Agnaldo Timóteo e o merecedor do depósito, este mortal escriba. No último sábado ele esteve em Uberaba e brindou-nos com um belo show no Cine Municipal Vera Cruz.

É costume dos artistas receberem seus cachês em moeda viva antes das suas apresentações. Ao ser dado a Agnaldo um cheque em pagamento, o astro de “Os verdes campos da minha terra” foi enfático: “Não recebo cheque; nós os artistas só trabalhamos com dinheiro em espécie!”. E é essa a realidade.

O tempo passava com evidências de que o show não iria acontecer. Fui chamado ao camarim a fim de presentear Timóteo com o livro “O ANDARILHO; QUEM É ELE?”. Agnaldo conteve-se por um minuto para receber o presente. Olhou demoradamente para a capa amarela da obra literária e, aquebrantado, agradeceu-me com emoção. Pediu-me para entregar-lhe o livro no palco e na presença de todos disse: “João; você me faz esse cheque virar dinheiro na segunda-feira?”

Ao obter dos responsáveis pelo evento o compromisso de que o dinheiro de Agnaldo estaria depositado em conta bancaria, dei-lhe o sim. Timóteo colocou o cheque no bolso do meu paletó, sem pedir sequer um recibo. Assumi uma responsabilidade histórica que não era minha. Pensei na felicidade daquela seleta platéia que o aguardava e não hesitei em aceitar a missão. O respeitável amigo Antenor Cruvinel convidou-me a apresentar Agnaldo ao público, mas declinei-me da honrosa atribuição.

“Montanha” e outros profissionais do mundo artístico ali presentes disseram nunca ter visto gesto de desprendimento igual ao do cantor de Caratinga. Cantar sem receber nem os pássaros aceitam, disseram. Vamos a trabalho! Disse Agnaldo; e foi. Quase duas horas passaram rapidíssimo!

A grandeza é para os grandes, mas a humildade é para os maiores. Vi um gigante chamado Agnaldo Timóteo, cujo imenso coração cantou mais alto do que a sua própria voz. Seus fãs ali presentes é que o digam. Aplausos, lágrimas, fotos e abraços ocorreram como nunca assisti no Cine Municipal Vera Cruz.

Pena é que o dinheiro de Agnaldo não foi depositado integralmente na segunda-feira. A sua generosidade e o amor por Uberaba lhe pediram e ele respondeu: “Esperarei com paciência.”

(*) PRESIDENTE DO FÓRUM PERMANENTE DOS ARTICULISTAS DE UBERABA E REGIÃO.
E-mail: forumarticulistas@hotmail.com